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Acusado de matar ex-pastor a tiros e facadas vai a júri em Ponta Grossa

Cristian Luiz Gonçalves Rosas de Oliveira, de 35 anos, foi morto no bairro Ronda em dezembro de 2021; suspeito foi preso horas depois, alegou legítima defesa e acabou liberado para responder ao processo em liberdade

Acusado de matar ex-pastor a tiros e facadas vai a júri em Ponta Grossa
Arquivo/ BnT Online
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Quase cinco anos após um homicídio que teve grande repercussão em Ponta Grossa, Rafael Christian Nusda será levado ao Tribunal do Júri acusado pela morte de Cristian Luiz Gonçalves Rosas de Oliveira, de 35 anos. O julgamento está marcado para a próxima quinta-feira (17), às 8h30, no Fórum Estadual de Ponta Grossa.

A sessão será presencial e presidida pelo juiz Luiz Carlos Fortes Bittencourt. A pauta oficial do Tribunal do Júri confirma Rafael como réu no processo. O processo é classificado atualmente pela Justiça como ação penal de competência do Júri por homicídio qualificado. Cristian aparece como vítima e Rafael como réu.

Nesta sexta-feira (11), a poucos dias do julgamento, o magistrado autorizou a juntada de novos documentos apresentados pelo Ministério Público e determinou que a defesa fosse cientificada.

Crime aconteceu durante a madrugada na Ronda

O homicídio aconteceu na madrugada de 7 de dezembro de 2021, na Rua República do Panamá, no bairro Ronda. Documento recente expedido pelo Tribunal do Júri aponta que os fatos descritos na denúncia teriam ocorrido por volta das 4 horas, nas proximidades do número 893.

Na época, a Polícia Militar registrou o atendimento por volta das 3h20. Cristian foi encontrado ferido por arma branca e disparo de arma de fogo. O Samu chegou a prestar atendimento, mas ele não resistiu e morreu no local.

Posteriormente, a Polícia Civil informou que o corpo estava em um local público e apresentava, entre os ferimentos, uma marca de tiro no peito. As investigações começaram ainda durante a madrugada.

Cristian tinha 35 anos. Em reportagem publicada pelo próprio BnT na ocasião, ele foi identificado como um homem que havia atuado como pastor de igreja evangélica, trabalhava como auxiliar administrativo em uma cooperativa agrícola e cursava uma pós-graduação em Ponta Grossa.

Ele foi sepultado no dia seguinte ao crime, em 8 de dezembro de 2021, no Cemitério São Vicente de Paula, em Ponta Grossa.

Suspeito foi preso horas depois

A Polícia Civil chegou ao então suspeito ainda no mesmo dia. De acordo com a PCPR, ele tinha 32 anos na época e morava no mesmo bairro onde ocorreu o homicídio. A prisão aconteceu aproximadamente cinco horas depois do início do atendimento da ocorrência.

Segundo a corporação, por volta das 9 horas, o homem foi localizado próximo à região onde o corpo havia sido encontrado. Os policiais relataram ainda que ele apresentava marcas de sangue quando foi detido.

Informações divulgadas pela Polícia Civil e publicadas pelo BnT em dezembro de 2021 apontavam que os investigadores seguiram vestígios e marcas de sangue para identificar o local onde os fatos supostamente teriam começado. O suspeito morava a poucos metros daquele ponto.

O que o acusado disse à polícia

A versão apresentada pelo acusado naquela ocasião foi de legítima defesa. Segundo o relato divulgado pela Polícia Civil na época, Rafael afirmou que Cristian teria, em datas anteriores, se envolvido em uma situação relacionada à esposa dele. Na madrugada do crime, segundo essa versão, Cristian teria ido até a residência do acusado alterado e portando um facão, passando a agredi-lo.

Rafael declarou que teria reagido às agressões. Ainda conforme a versão apresentada à polícia, Cristian teria deixado o local e depois retornado com uma arma de fogo, efetuando um disparo. Um segundo disparo teria falhado. O acusado afirmou então que teria derrubado Cristian de um barranco e que, posteriormente, não teria visto o que aconteceu, alegando que havia outras pessoas na rua.

A Polícia Civil, porém, informou naquele momento que encontrou contradições no depoimento. Os investigadores também registraram que o suspeito tinha marcas de sangue e estava usando duas camisetas quando foi apresentado na delegacia. Diante dos elementos reunidos naquela madrugada, ele foi autuado em flagrante por homicídio.

Justiça liberou acusado após audiência de custódia

Apesar da prisão em flagrante, Rafael permaneceu detido por menos de 24 horas. Em 8 de dezembro de 2021, após audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória para que ele respondesse ao processo fora da prisão. À época, a defesa sustentou a tese de legítima defesa, argumentando que Cristian teria ido até a residência do acusado e o ameaçado primeiro com um facão e posteriormente com uma arma de fogo.

Documentação atual do processo confirma que Rafael não está preso. Em ofício expedido pelo Tribunal do Júri em agosto deste ano, consta expressamente a informação “processo com réu preso: não”. A tese de legítima defesa apresentada naquele momento, porém, não significa absolvição.

O processo prosseguiu e chegou ao Tribunal do Júri, onde caberá aos jurados analisar as provas, as versões apresentadas pelas partes e decidir sobre a responsabilidade criminal do acusado.

Justiça pediu perícia e histórico de ocorrências

Nas semanas que antecederam o julgamento, o Juízo adotou novas providências para complementar os autos. Em agosto, o Instituto de Criminalística do Paraná foi oficiado para informar se havia sido realizado exame pericial no local do homicídio. O pedido menciona expressamente os fatos ocorridos na Rua República do Panamá e determina que, caso exista, seja encaminhada uma cópia do laudo pericial ou informado o número do documento e o setor responsável.

A Justiça também determinou à 13ª Subdivisão Policial e ao 1º Batalhão da Polícia Militar o levantamento de todos os boletins de ocorrência nos quais Cristian figurasse como parte, incluindo registros arquivados, encerrados ou ainda em andamento.

O processo atual identifica a acusação principal como homicídio qualificado, mas os documentos disponibilizados ao BnT neste momento não especificam qual qualificadora será submetida aos jurados. Por isso, não é possível afirmar, apenas com esses documentos, qual circunstância qualificadora o Ministério Público sustentará em plenário.

Policiais serão testemunhas no júri

Pelo menos dois policiais civis foram formalmente requisitados para participar da sessão como testemunhas: Matheus Candéo Iurk e Nickson Claiter da Silva. A requisição judicial informa que ambos poderão prestar depoimento durante o julgamento e confirma que a sessão ocorrerá presencialmente em 17 de setembro, às 8h30. O documento também relaciona o caso ao Inquérito Policial nº 234576/2021.

O julgamento ocorre na Vara Plenário do Tribunal do Júri de Ponta Grossa, no Fórum da Justiça Estadual, localizado na Rua Doutor Leopoldo Guimarães da Cunha, no bairro Oficinas. Durante a sessão, acusação e defesa poderão apresentar suas teses aos jurados.

Ao Conselho de Sentença caberá decidir, com base no conjunto de provas e nos debates em plenário, se Rafael Christian Nusda deve ou não ser responsabilizado criminalmente pela morte de Cristian.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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