Júri de trio acusado de tentativa de homicídio em PG fica para novembro
Crime aconteceu no bairro Boa Vista, em fevereiro de 2025; vítima foi atingida no pescoço e no tórax e conseguiu fugir para pedir socorro

O julgamento de três pessoas acusadas de participação em uma tentativa de homicídio qualificado contra Maico Pires Santos, em Ponta Grossa, não será mais realizado nesta terça-feira (8). A Justiça acolheu um pedido apresentado pelas defesas e remarcou a sessão do Tribunal do Júri para 24 de novembro de 2026, às 8h30.
O caso aconteceu em 27 de fevereiro de 2025, no bairro Boa Vista, e chama atenção pelas circunstâncias descritas no processo: segundo a acusação, Maico teria sido atraído até uma residência sob o argumento de que receberia o pagamento de uma dívida. Ele foi ao endereço acompanhado do filho, então com apenas 6 anos.
Os réus são Ana Carla da Silva dos Santos, Guilherme Luiz Orlovski e Luiz Felipe Barbosa. O processo tramita perante o Tribunal do Júri de Ponta Grossa e envolve acusação de tentativa de homicídio qualificado.
Vítima foi encontrada perdendo muito sangue
Conforme registros reproduzidos em decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, policiais militares foram acionados para prestar apoio ao Samu depois que Maico, gravemente ferido, conseguiu chegar a outra residência para pedir socorro. Quando as equipes chegaram, encontraram a vítima com ferimentos provocados por arma branca no pescoço e no tórax, além de intensa perda de sangue. Maico permaneceu hospitalizado após o atendimento.
Ainda segundo os elementos do processo, a preocupação imediata da vítima era com o filho, que havia acompanhado o pai até o endereço onde ocorreu a confusão e teria permanecido no local durante parte dos acontecimentos.
Acusação aponta emboscada motivada por dívida
A versão apresentada pela acusação é de que Maico recebeu uma ligação para ir até a residência porque uma dívida seria paga. Ao chegar ao endereço com o filho, porém, ele teria sido surpreendido.
Em depoimento reproduzido pelo TJPR, a vítima afirmou que, após perceber que o pagamento não seria realizado e decidir deixar a residência, teria sido atacada. O Ministério Público sustenta que houve uma ação conjunta contra Maico e aponta as qualificadoras de motivo torpe e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Além da tentativa de homicídio, os três foram pronunciados para julgamento também em relação a uma acusação de furto qualificado. Segundo o processo, teriam sido subtraídos bens pertencentes à vítima. A sentença de pronúncia determinou que as acusações fossem submetidas ao Conselho de Sentença.
Suspeito foi encontrado escondido
Outro detalhe registrado nos autos ocorreu logo após o atendimento à vítima. Policiais seguiram vestígios de sangue existentes na região e chegaram a uma residência próxima. No imóvel, Guilherme Luiz Orlovski foi localizado escondido no banheiro, entre roupas. Ele apresentava ferimentos nas mãos, foi levado para atendimento médico e posteriormente encaminhado à delegacia para os procedimentos da ocorrência.
O caso também possui versões divergentes sobre o que aconteceu naquela noite. Uma das teses defensivas sustenta que Maico teria chegado ao imóvel armado com uma faca e exaltado, e que o episódio teria ocorrido no contexto de um desentendimento anterior envolvendo dívida.
As defesas recorreram da decisão que levou os três acusados ao Tribunal do Júri. Entre os pedidos apresentados estavam a impronúncia, a desclassificação do crime e a retirada das qualificadoras. O Tribunal de Justiça do Paraná, entretanto, manteve o encaminhamento do caso aos jurados, considerando a existência de prova da materialidade e indícios suficientes para que as acusações sejam analisadas pelo Conselho de Sentença.
Julgamento passa para novembro
O júri estava previsto para esta terça-feira (8), mas uma decisão assinada em 4 de setembro alterou o cronograma. O juiz Luiz Carlos Fortes Bittencourt registrou que acolheu requerimento apresentado pelas defesas e redesignou a sessão para 24 de novembro, às 8h30. O despacho não informa, no documento disponibilizado, qual foi o fundamento específico utilizado pelas defesas para solicitar o adiamento.
Dias antes, em 31 de agosto, os advogados que representavam Guilherme Luiz Orlovski haviam renunciado à defesa. A Justiça determinou que ele constituísse novo defensor em até 48 horas e estabeleceu a nomeação de advogado caso isso não ocorresse. O documento, porém, não afirma que essa movimentação tenha sido a causa do adiamento do júri.
A decisão de pronúncia não representa uma condenação. Os três réus serão submetidos ao Tribunal do Júri, responsável por decidir sobre culpa ou inocência em relação às acusações que permanecem no processo.
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