Alemanha busca depósito definitivo para lixo nuclear
A Alemanha segue em busca de um depósito definitivo para seus resíduos nucleares, um processo que pode durar até 2050. Apenas 5% do território é considerado potencialmente adequado, e os custos anuais chegam a 1,4 bilhão de euros.

A Alemanha continua empenhada em encontrar um depósito definitivo para seus resíduos nucleares, um desafio que se arrasta há décadas. A Sociedade Federal para Depósitos Finais (BGE, na sigla em alemão), criada exclusivamente para essa finalidade, já dedica dez anos à busca de um local subterrâneo adequado, semelhante ao projeto finlandês de Olkiluoto, que fica 400 metros abaixo da terra. A meta é armazenar com segurança elementos combustíveis usados que permanecerão radioativos por milhares de anos.
O processo alemão está previsto para durar até 2050, mas o ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, quer verificar se esse prazo pode ser encurtado. Um porta-voz do ministério destacou que a Alemanha integra o grupo de pioneiros nessa área, ao lado da Finlândia, enquanto Rússia, Estados Unidos, Reino Unido e Japão não possuem processos tão avançados.
Busca restrita a 5% do território
A BGE anunciou que apenas 5% da área territorial da Alemanha ainda são considerados potenciais locais para um depósito definitivo, distribuídos por 11 dos 16 estados federados. O órgão dialoga com geólogos, especialistas em energia nuclear, físicos, cidadãos e políticos para avaliar as opções. Além disso, há uma decisão clara: o lixo nuclear produzido ao longo de décadas de operação das usinas alemãs permanecerá no país e não será enviado ao exterior.
Atualmente, os resíduos estão armazenados na área das 19 antigas usinas nucleares, em processo de desmontagem, e em algumas instalações de pesquisa. A Alemanha decidiu abandonar gradualmente o uso comercial da energia nuclear em 2011, após o desastre de Fukushima, no Japão, e a última usina foi desligada em 2023. O lixo radioativo, porém, ficou onde estava.
Segurança por 1 milhão de anos
Um dos motivos para a demora em se encontrar um depósito definitivo é a necessidade de provar que o local é seguro por um período extremamente longo: na Finlândia são 100 mil anos; na Alemanha, Suíça e França, 1 milhão de anos. “Independentemente do horizonte temporal considerado, o esforço é sempre enorme”, observa a porta-voz do BGE, Dagmar Dehmer.
Os potenciais locais são avaliados segundo critérios geológicos rigorosos: a formação rochosa a 400 metros de profundidade é estável? Existe risco de contaminação das águas subterrâneas? O objetivo é encontrar um local onde o depósito seja cercado por uma camada rochosa com aproximadamente 100 metros de espessura, funcionando como barreira natural. Entre as formações consideradas adequadas estão camadas de argila, granito ou sal-gema.
Critérios refinados e resistência local
Os critérios são progressivamente ampliados e refinados, reduzindo cada vez mais o número de locais possíveis. Outros fatores, como a proximidade de grandes cidades, só passam a ser considerados em etapas posteriores. Uma coisa é clara de antemão: a perspectiva de abrigar um depósito de resíduos radioativos não gera entusiasmo entre os moradores de nenhum lugar na Alemanha.
Parte do trabalho de Dehmer consiste em criar confiança. Ela precisa explicar repetidamente por que é necessário lidar com o legado deixado pela era da energia nuclear, independentemente da opinião de cada um sobre essa tecnologia. A comunicação transparente é essencial para superar a resistência das comunidades potencialmente afetadas.
Custos bilionários e expectativa final
Além de indesejada, a destinação definitiva dos resíduos nucleares é cara. A busca por um depósito definitivo e o armazenamento provisório dos resíduos nos antigos locais das usinas custam cerca de 1,4 bilhão de euros por ano à Alemanha. Os especialistas estimam que a construção e operação do depósito definitivo custarão cerca de 14 bilhões de euros.
A expectativa é que, quando o projeto estiver concluído, 28 mil metros cúbicos de resíduos radioativos tenham finalmente encontrado um depósito permanente e seguro no subsolo. Enquanto isso, a Alemanha segue aprimorando seus critérios e dialogando com a sociedade para encontrar uma solução que proteja as gerações futuras.























