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Alzheimer e o Envelhecimento: O Fantasma que Cresce com a Longevidade

Neurologista Carlos Henrique fala sobre a realidade das demências no Brasil, os desafios do diagnóstico, os avanços no tratamento e a importância da prevenção

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Você sabia que pelo menos 100 mil novos casos de Alzheimer e outras demências serão diagnosticados no Brasil em 2025? O dado impressiona, mas não surpreende especialistas. Com o aumento da expectativa de vida no país — que hoje varia entre 75 e 80 anos, ultrapassando os 80 em algumas regiões, como o Sul —, as doenças neurodegenerativas se tornam cada vez mais prevalentes.

Em entrevista à jornalista Ana Gambassi no podcast Papo de Envelhecente, ao ar na manhã desta quinta-feira (15),  o neurologista Dr. Carlos Henrique alerta: “Essas doenças são o tributo que pagamos por viver mais. Antes, na década de 1940, grande parte da população morria antes dos 40 anos. Não se falava em Alzheimer. Hoje, viver mais significa também lidar com os males do envelhecimento.”

Demência vai além do Alzheimer

Um dos pontos destacados na conversa é que o Alzheimer é apenas uma das muitas formas de demência. “Existe uma tendência a diagnosticar qualquer esquecimento como Alzheimer, mas muitas vezes trata-se de outra doença, inclusive com base genética ou vascular”, explica o médico.

Dr. Carlos também chama a atenção para a demência mista — um quadro que combina degeneração cerebral com alterações vasculares, sendo possivelmente o tipo mais comum atualmente. Fatores como obesidade, hipertensão, diabetes e sedentarismo são alguns dos vilões silenciosos nesse cenário. “Esses fatores, além de causarem doenças cardiovasculares, aceleram o processo degenerativo do cérebro.”

Esquecer não é sempre Alzheimer

Outro alerta importante feito pelo neurologista diz respeito à naturalidade do envelhecimento cerebral. “Perder a velocidade de raciocínio, esquecer nomes ou onde deixou as chaves é normal a partir dos 50, até antes”, diz. “O que não é normal é quando essas perdas interferem na rotina ou vêm acompanhadas de outros sintomas como incontinência, distúrbios do sono ou depressão arrastada.”

Nesses casos, o ideal é procurar avaliação especializada. “Existe uma fase intermediária entre o envelhecimento normal e a demência: o declínio cognitivo leve. Esse estágio merece atenção, porque pode ou não evoluir para doenças degenerativas.”

Prevenir ainda é o melhor remédio

Quando o assunto é tratamento, os avanços ainda são tímidos. Um dos tópicos discutidos na entrevista foi a recente aprovação pela Anvisa de anticorpos monoclonais para Alzheimer. “Eles limpam as placas amiloides do cérebro, mas os estudos ainda não comprovaram que isso melhora a cognição. E há muitas barreiras no Brasil: acesso a exames, custo altíssimo, e a necessidade de diagnóstico precoce, o que raramente acontece na prática clínica.”

Para o neurologista, o foco precisa ser a prevenção. “A maior proteção contra a demência está na educação. Quanto mais anos de estudo, mais você lê, pensa, aprende novas línguas, maior sua reserva cognitiva. E claro, alimentação saudável, atividade física regular e controle de doenças como diabetes e hipertensão são fundamentais.”

Em tempos de estímulos digitais rápidos e superficiais, Dr. Carlos faz um alerta: “O TikTok não vai preparar seu cérebro para envelhecer bem. Precisamos nos desafiar intelectualmente, cuidar do corpo e cultivar hábitos que protejam o cérebro no longo prazo.”

Sem pânico, mas com consciência

Apesar dos números assustadores, o especialista reforça que nem todo mundo desenvolverá demência. “Precisamos desmistificar o envelhecimento. O idoso não é automaticamente esquecido ou rabugento. E nem toda perda de memória é sinal de Alzheimer. É preciso informação, acompanhamento e, principalmente, atitude preventiva.”

Ao final da entrevista, fica o recado claro: a chave está no cuidado contínuo com o cérebro ao longo da vida. “A nossa geração vai viver mais de 80 anos. Mas com que cérebro você quer chegar lá?”, provoca Dr. Car

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