Bola Rolando: Operário ainda sonha com a Série A, mas agora precisa desafiar a lógica
Operário Ferroviário ainda sonha com a Série A, mas o desempenho em agosto tornou a reta final da Série B uma missão de superação.

O Operário Ferroviário na Série B ainda pode sonhar com uma vaga na disputa pelo acesso. Pode. A matemática permite, a tabela não fechou as portas e enquanto houver possibilidade é obrigação acreditar. Mas existe uma distância enorme entre acreditar e vender ilusão. E, neste momento, o Fantasma precisa fazer algo muito acima do que apresentou durante o mês de agosto.
O empate conquistado diante do Fortaleza, na Arena Castelão, precisa ser valorizado. E muito.
O Fortaleza foi superior. Teve mais posse de bola, finalizou mais, pressionou e transformou os minutos finais em um verdadeiro bombardeio contra a defesa alvinegra. Foram 20 finalizações do time cearense contra 10 do Operário, além de vantagem de 11 a 1 nos escanteios. Wagner precisou trabalhar — e trabalhar muito.
Mas futebol não premia necessariamente quem joga melhor.
Premia também quem resiste.
E o Operário resistiu.
Um ponto para comemorar
O ponto conquistado fora de casa deve ser tratado como importante justamente pelas circunstâncias da partida. Diante de um Fortaleza superior e empurrado por mais de 20 mil torcedores, o Fantasma teve capacidade de sofrer, competir e permanecer vivo até o último minuto.
Wagner foi decisivo. A defesa se desdobrou. A trave ajudou. E até em uma jogada praticamente inacreditável o Operário escapou de sofrer o gol.
Foi daqueles jogos em que, quando o árbitro termina a partida, o empate tem gosto de vitória.
Só que existe outro lado dessa história.
E ele é bem menos agradável.
Agosto foi desastroso
Se o resultado diante do Fortaleza merece elogios, o mês de agosto como um todo precisa acender todos os sinais de alerta.
O Operário disputou seis partidas pela Série B durante o mês. Foram 18 pontos disponíveis.
Conquistou apenas dois.
Dois empates e quatro derrotas.
Um aproveitamento próximo de 11%.
Não existe maneira de suavizar esse número. Para um clube que pretende disputar uma vaga na Série A, é um desempenho extremamente ruim. Foi justamente essa sequência que reduziu drasticamente a margem de erro do Fantasma no campeonato.
O Operário chegou aos 37 pontos e ocupa a nona colocação, ainda próximo do grupo que disputa a sexta posição. A matemática continua permitindo esperança.
Mas agora será necessário mudar completamente o ritmo.
A sexta vaga virou uma guerra
O problema não é apenas aquilo que o Operário precisa fazer.
É contra quem terá de fazer.
Na parte de cima estão equipes com estrutura, investimento e elencos fortes. Juventude, Vila Nova, Criciúma, Novorizontino e Fortaleza aparecem em condição privilegiada nessa disputa.
Mais abaixo, existe uma verdadeira multidão tentando alcançar a última vaga no grupo dos seis.
CRB, Atlético-GO, Sport, Operário, Goiás e Cuiabá aparecem envolvidos nessa batalha.
É uma briga pesada.
E, olhando exclusivamente para investimento e profundidade de elenco, o Fantasma não entra como favorito.
É justamente aí que nasce a comparação inevitável: o Operário terá de ser Davi em uma disputa cheia de Golias.
O Operário precisa fazer um campeonato diferente
Não existe mais espaço para um novo agosto.
Se repetir desempenho semelhante, o sonho acaba rapidamente.
Para permanecer realmente competitivo nessa disputa, o Operário precisará elevar consideravelmente seu aproveitamento. Será necessário transformar empates em vitórias, pontuar fora de casa e, principalmente, fazer valer o mando de campo.
A sequência exige algo próximo de uma campanha de time que efetivamente luta pelo acesso.
Difícil?
Muito.
Impossível?
Ainda não.
E essa diferença é fundamental.
O torcedor pode acreditar. O clube precisa acreditar. Os jogadores precisam entrar em campo acreditando.
Mas acreditar não significa ignorar a realidade.
Hoje, chegar à Série A exigirá uma superação extraordinária.
O empate diante do Fortaleza mostrou que esse time sabe sofrer, sabe competir e pode arrancar resultados mesmo quando enfrenta adversários tecnicamente superiores.
Agora precisa mostrar algo ainda mais importante:
que também sabe vencer.
Porque, daqui para frente, empate heroico pode até ser comemorado em determinadas circunstâncias.
Mas são as vitórias que manterão o Operário vivo na estrada para a Série A.
Assista a análise completa:
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