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Bola Rolando: Operário precisa mudar para não tropeçar até contra quem já caiu

Operário enfrenta o América-MG neste sábado pela Série B. Coluna analisa escalação, momento ruim e mudanças necessárias no Fantasma.

Operário
Foto: Andre Jonsson / OFEC
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O Operário Ferroviário enfrenta o América-MG neste sábado (17), às 18h30, no estádio Independência, em Belo Horizonte, pela 34ª rodada da Série B. Pela tabela, não deveria existir muita discussão: o adversário é o vice-lanterna, soma apenas 17 pontos e já está matematicamente rebaixado. O problema é que, olhando para o futebol recente do Fantasma, ninguém consegue tratar essa partida como vitória garantida.

Esse é o tamanho do problema.

O América não tem mais responsabilidade. Já caiu, não carrega pressão por acesso, permanência ou resultado. Seus jogadores entram em campo praticamente sem nada a perder.

Do outro lado estará um Operário pressionado, vindo de uma sequência muito ruim e ainda tentando justificar a esperança matemática de chegar ao grupo que brigará pelo acesso.

É exatamente aí que mora o perigo.

O adversário caiu, mas o Operário também vem caindo de rendimento

Nos últimos cinco jogos, o Operário venceu apenas uma vez. Nas quatro partidas mais recentes, foram um empate e três derrotas consecutivas.

A mudança no comando técnico ainda não conseguiu produzir uma transformação imediata.

Alberto Valentim pegou um time com problemas acumulados, especialmente na construção ofensiva, na proteção pelos lados do campo e na confiança.

Por isso, mesmo enfrentando um América-MG que realizou uma campanha muito abaixo do esperado, é difícil colocar o Fantasma como favorito absoluto.

O futebol não respeita apenas tabela.

Respeita momento.

E o momento do Operário é preocupante.

Antes de pensar no acesso, é preciso voltar a jogar futebol

Ainda existe matemática para alimentar o sonho do torcedor.

Mas uma coisa é matemática. Outra é o que acontece dentro do campo.

O Operário tem 48 pontos e aproximadamente 48% de aproveitamento. Para realmente voltar à disputa pelas primeiras posições, precisaria praticamente de uma campanha perfeita nestas cinco rodadas finais.

É possível?

Matematicamente, sim.

É provável?

Hoje, não.

Antes de olhar para os outros resultados, o Fantasma precisa resolver os próprios problemas.

E eles começam desde o gol.

Vagner ou Elias?

Essa é uma das primeiras decisões que Alberto Valentim terá pela frente.

Wagner não vive seu melhor momento. Elias também não passa segurança absoluta, especialmente quando precisa participar da saída de bola.

Mais do que escolher um goleiro, o Operário precisa parar de transformar bolas aparentemente simples dentro da própria área em momentos de tensão.

Quando uma bola cruzada se transforma constantemente em ameaça, existe algum problema coletivo que vai além do jogador que veste a camisa 1.

A boa notícia está no retorno de Cuenu.

Ao lado de Josef, forma aquela que considero a dupla de zaga mais segura disponível atualmente no elenco.

Miranda precisa ganhar espaço na defesa

Também existe uma discussão importante sobre a lateral direita.

Doka ou Miranda?

Eu iria de Miranda.

Sem pensar duas vezes.

O Operário sofre muito defensivamente pelos lados. Em vários momentos, joga com atletas que têm características muito mais de ala do que de lateral.

Isso deixa espaços.

E Série B pune espaço.

Miranda tem força física, poder de marcação e capacidade para tornar aquele setor mais protegido.

Na esquerda, Gabriel Feliciano é extremamente útil quando consegue avançar. Tem boa chegada, potência e qualidade ofensiva, mas também rende mais como ala do que como um defensor tradicional.

Por isso, existe até espaço para uma alternativa diferente: utilizar Zuluaga e Miranda mais presos nas laterais e liberar jogadores mais ofensivos à frente.

Seria uma maneira de devolver equilíbrio ao time.

Doka poderia render mais na frente

Se Doka tem dificuldade para cumprir uma função defensiva, por que não aproveitar suas características ofensivas?

Eu gostaria de vê-lo mais adiantado pelo lado direito.

Na esquerda, Gabriel Feliciano também poderia atuar mais próximo do ataque.

Com laterais realmente preocupados em marcar, os jogadores de lado teriam liberdade para atacar.

Parece simples.

E talvez o Operário esteja precisando justamente simplificar.

Aylon e Berto não justificam titularidade neste momento

Também é preciso falar sobre desempenho individual.

Berto atravessa um momento muito ruim.

Aylon também.

Não importa o histórico, a experiência ou aquilo que já produziram anteriormente. Escalação precisa considerar rendimento atual.

E, neste momento, ambos oferecem muito pouco.

Caio Dantas deveria ser o centroavante.

Centroavante mesmo.

Jogando próximo dos zagueiros adversários, atacando a área e ocupando o espaço onde um camisa 9 precisa estar.

Nada de voltar excessivamente para participar de jogadas longe do gol.

O Operário precisa de alguém para finalizar.

Meio-campo precisa dar sustentação

No meio, Trindade e Diniz oferecem uma base importante.

A dúvida fica na formação mais ofensiva, especialmente dependendo das condições de Boschilia.

Pedro Vilhena surge como uma alternativa natural.

Se houver segurança defensiva atrás, o meio terá muito mais tranquilidade para criar e acelerar o jogo.

Esse equilíbrio desapareceu em várias partidas recentes.

O Fantasma ficou vulnerável atrás e pouco agressivo na frente.

Essa é uma combinação fatal.

América-MG pode jogar sem medo

Existe ainda um componente psicológico que não pode ser ignorado.

O América já caiu.

Isso pode tornar o time ainda mais perigoso.

Não existe mais aquela pressão gigantesca pelo resultado. O jogador recebe a bola e tenta a jogada. Arrisca. Chuta. Parte para cima.

Já o Operário entra carregando obrigação.

“Tem que ganhar.”

Esse peso estará presente desde o primeiro minuto.

Por isso, quanto mais tempo o gol não aparecer, maior poderá ser a ansiedade.

O Fantasma precisa assumir o jogo desde o início.

Mas sem virar um time desesperado.

É hora de mostrar reação

Faltam apenas cinco partidas.

Não existe mais espaço para promessas de reação futura.

O futuro é agora.

Se o Operário ainda deseja sustentar qualquer possibilidade de disputar o acesso, precisa vencer o América-MG.

Não simplesmente porque o adversário é o 19º colocado.

Mas porque quem quer subir não pode escolher adversário nesta altura do campeonato.

Muito menos tropeçar diante de um time já rebaixado.

Eu mudaria algumas peças.

Fortaleceria as laterais.

Liberaria jogadores ofensivos.

Colocaria Caio Dantas como referência.

E tentaria devolver ao Operário aquilo que desapareceu nas últimas rodadas: segurança para defender e coragem para atacar.

Depois disso, a sorte estará lançada.

Porque sonhar com cinco vitórias consecutivas para um time que até aqui conquistou menos da metade dos pontos disputados talvez seja esperar demais.

Mas enquanto a matemática permitir, o torcedor continuará acreditando.

Agora falta o Operário dar motivos dentro de campo.

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Ivan Vinícius
Autoria
Ivan Vinícius
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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