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Política

Brasil defende mulher da região para comandar a ONU

O Itamaraty divulgou nota reforçando que a região tem mulheres ‘à altura’ de assumir o comando da ONU, após Michelle Bachelet desistir da candidatura. O Brasil ainda não definiu quem apoiará na eleição para sucessor de António Guterres.

Brasil defende mulher da região para comandar a ONU
Lula e Michelle Bachelet em imagem de 2024 — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
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O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou uma nota nesta segunda-feira (21) na qual reforçou que a região tem mulheres “à altura” de assumir o comando da Organização das Nações Unidas (ONU). A manifestação ocorre após a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ter anunciado a retirada de sua candidatura, que contava com o apoio do governo brasileiro.

Bachelet desistiu de concorrer ao cargo de secretário-geral da ONU no sábado (19), após perder o apoio do Chile. A nota do Itamaraty não cita quem o Brasil apoiará com a desistência da ex-presidente. De acordo com integrantes da diplomacia brasileira, ainda não há definição desse nome.

Contexto da candidatura de Bachelet

A candidatura de Bachelet foi anunciada num contexto em que o Chile era governado por Gabriel Boric, de esquerda. Em março, quando Antonio Kast, de direita, já havia assumido como novo presidente do país, o governo chileno retirou o apoio ao nome da ex-presidente.

Com a retirada do apoio chileno, a candidatura de Bachelet passou a ser bancada pelo Brasil e pelo México, dois países governados por presidentes de esquerda (Lula e Cláudia Sheinbaum). A desistência da ex-presidente, portanto, encerra uma articulação diplomática que já enfrentava obstáculos desde a mudança de governo no Chile.

Perfil defendido pelo Brasil

Conforme a nota do Itamaraty, o perfil a ser apoiado pelo Brasil na eleição da ONU deve ser o de alguém comprometido com os princípios da organização, entre os quais a paz e a segurança. O comunicado, porém, não detalhou critérios adicionais nem mencionou eventuais candidaturas em análise.

A diplomacia brasileira ainda não definiu um nome para apoiar. A fonte não detalhou se haverá consultas a outros países da região ou se o Brasil aguardará novas candidaturas antes de se posicionar.

Processo de eleição na ONU

O secretário-geral da ONU é eleito pela Assembleia Geral após recomendação do Conselho de Segurança para um mandato de cinco anos, com possibilidade de uma reeleição. O atual líder da organização, António Guterres, deixa o cargo em 31 de dezembro, após exercer dois mandatos consecutivos.

O secretário-geral coordena o trabalho da ONU, participa de negociações internacionais, pode mediar conflitos e chamar a atenção do Conselho de Segurança para crises que ameaçam a paz. Apesar de sua influência diplomática, não tem poder para impor decisões aos países por conta própria.

Cenário da disputa

A votação do Conselho de Segurança realizada em agosto situou como favorita a ex-chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, com oito votos favoráveis. A fonte não detalhou se o Brasil apoiou essa candidatura na ocasião.

O presidente Lula está em Nova York (EUA), onde discursará nesta terça-feira no debate-geral da Assembleia Geral das Nações Unidas. A expectativa é que o tema da sucessão na ONU seja discutido em reuniões bilaterais à margem do evento.

Próximos passos

Com a desistência de Bachelet, o Brasil precisará reavaliar sua posição na disputa pelo comando da ONU. A nota do Itamaraty sinaliza que o país continuará defendendo uma candidatura feminina da região, mas sem indicar prazos ou estratégias.

A eleição para o cargo deve ocorrer nos próximos meses, e o resultado dependerá de negociações no Conselho de Segurança. O Portal Boca no Trombone seguirá acompanhando os desdobramentos dessa disputa diplomática.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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