Careca do INSS fez transferências milionárias para empresa ligada ao caso Corinthians e idosa de 90 anos
Careca do INSS realizou transferências milionárias para empresas suspeitas de desvio, incluindo firmas ligadas a investigações nacionais.

O empresário conhecido como Careca do INSS realizou transferências milionárias para empresas suspeitas de irregularidades, segundo a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. As movimentações indicam um possível esquema estruturado para fragmentar valores e dificultar o rastreamento dos recursos.
As transferências partiram da Arpar Participação e Empreendimentos, empresa ligada ao investigado, que movimentou cerca de R$ 445,2 milhões entre setembro de 2023 e janeiro de 2025. De acordo com a apuração, os valores eram distribuídos entre diferentes CNPJs com características típicas de empresas de fachada.
Um dos casos que mais chamou atenção foi o da Wave Intermediação, que recebeu R$ 1,05 milhão. Registrada em nome de um motoboy e localizada em uma quitinete no bairro da Lapa, em São Paulo, a empresa movimentou aproximadamente R$ 4,85 bilhões no período analisado. O volume é considerado incompatível com sua estrutura declarada.
A Wave já havia sido citada em investigações anteriores conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, incluindo o caso envolvendo o ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo, em apurações sobre irregularidades no contrato de patrocínio com a Vai de Bet. A suspeita é de que a empresa tenha atuado como intermediária na circulação de recursos desviados.
Outro ponto que reforça o padrão do esquema envolve a Premier Indústria e Comércio LTDA. A empresa estava registrada em nome de Diva Ribeiro Calil, uma idosa de 90 anos que faleceu em setembro do ano passado. Mesmo assim, as contas seguiram ativas e movimentaram R$ 65,7 milhões somente em 2025.
Ao todo, a Premier movimentou R$ 297,1 milhões entre 2023 e 2025, incluindo repasses de pelo menos R$ 6,9 milhões feitos pela Arpar. O uso de pessoas idosas ou de baixa renda como titulares de empresas também aparece em outros casos investigados.
A CPMI ainda identificou a atuação da Spyder Intermediações, registrada em nome de um jovem auxiliar de serviços gerais, que movimentou cerca de R$ 371 milhões. O perfil reforça o padrão de empresas sem capacidade operacional real, utilizadas apenas para circulação de dinheiro.
Segundo os parlamentares, o modelo se repete: empresas abertas em nome de terceiros, com pouca estrutura, recebem grandes quantias e redistribuem os valores rapidamente, criando camadas que dificultam a identificação da origem e do destino final dos recursos.























