Casca de ostra, por Renata Régis Florisbelo
De repente ostras começaram a ser cultivadas onde não eram vistas antes. A paisagem se modificou. Naquelas encostas de beira do mar fazendas de ostras foram implantadas. Propriedades com atracadouros, barracões, barcos e objetos que eram necessários para criá-las e processa-las. E por toda parte muitas e muitas cascas. Às vezes espalhadas pelo chão, em […]

De repente ostras começaram a ser cultivadas onde não eram vistas antes. A paisagem se modificou. Naquelas encostas de beira do mar fazendas de ostras foram implantadas. Propriedades com atracadouros, barracões, barcos e objetos que eram necessários para criá-las e processa-las. E por toda parte muitas e muitas cascas. Às vezes espalhadas pelo chão, em outras formando curiosa arte inusitada.
Paredes, totens em argamassas com cascas de ostras mergulhadas e inseridas. O pôr do sol sobre aqueles fragmentos de cascas se deixava decompor nos raios de luz e nos meus olhos. Amada mãezinha que comigo por lá andou e contemplou os totens de casca, as artes, os raios de sol no fim de tarde a morrerem para surgir a escuridão da noite que faz adormecer o brilho que se reflete nas cascas.
Hoje, minha saudade visita aquela paisagem, aquelas imagens, o braço da mamãe amparado no meu… Minha mãe partiu… E eu fiquei como as cascas de ostras que cobrem o chão e contemplam a beleza do mar em sua mansidão.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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