Finados era dia de festa! Estranha a afirmação? Não para o universo da criança! Dia de encontrar primos, tios, ver a circulação no entra e sai pelo cemitério. Onde tem gente reunida tem criança feliz e o que importa é ver o que o povo faz, interagir, escutar conversas e dar risada com a comunicação daqueles seres estranhos! Fantasiar criando novas histórias.
E pessoas a narrar tais excentricidades às voltas dos túmulos, por entre as lápides. Circular em volta da mãe atenta ao que as senhoras contavam, em narrativas peculiares para escutar e fantasiar. Era natural correr, brincar em volta de tudo e procurar pelas datas mais antigas de falecimento, de nascimento, fotos dos falecidos em suas roupagens de épocas.
Os jazigos abandonados, por vezes sequer o nome localizado… Plantas também mortas, restos irreconhecíveis de quem ali ficou. O alento em ver gente viva em torno dos espaços dos mortos em saudades a reavivar. Crianças não conheciam saudade. Agora conhecem.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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