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A cesta básica em Ponta Grossa voltou a subir e atingiu R$ 973,26 no último mês, registrando alta de 3,09%, segundo o Índice da Cesta básica realizado pelo curso de Economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O aumento interrompe uma sequência de quedas e reacende o alerta sobre o custo de vida na cidade, especialmente entre famílias de baixa renda.

De acordo com o economista Alexandre Roberto Lages, responsável pelo estudo, o aumento foi disseminado entre os produtos. Dos itens analisados, 19 tiveram alta, 13 registraram queda e apenas um permaneceu estável, o que indica uma pressão generalizada sobre os preços.

Hortifrúti lidera alta e pesa no bolso

O principal impacto veio do grupo de hortifrúti e grangeiros, que subiu 15,43%. O tomate foi o destaque, com aumento expressivo de 60,04%. Apesar da forte variação, o economista explica que oscilações desse tipo são comuns devido à sazonalidade e às condições climáticas, que afetam diretamente a oferta.

Outros segmentos também contribuíram para o avanço da cesta básica em Ponta Grossa, como alimentação geral (2,97%), produtos de limpeza (2,58%), carnes (0,95%) e higiene pessoal (0,90%).

Leite dispara e foge do padrão sazonal

Um dos pontos que mais chamaram atenção foi o leite, que registrou alta de 32,34% no último mês, acumulando aumentos consecutivos. Diferente de outros itens, esse crescimento não está ligado apenas à sazonalidade.

Entre os fatores estão o aumento nos custos de produção, maior demanda por derivados — como queijos e iogurtes — e a necessidade de recomposição de preços no setor.

Combustível e ração influenciam preços

Além dos fatores internos, o cenário econômico também contribui para a alta da cesta básica em Ponta Grossa. O aumento no preço do petróleo impacta diretamente o custo do frete, refletindo no valor final dos produtos.

Outro elemento relevante é o custo da ração animal, que influencia diretamente itens como carne, leite e ovos. Já o dólar, neste momento, não exerce pressão significativa sobre os preços, segundo a análise.

Diferença entre cesta básica e inflação

O economista destaca que o índice da cesta básica não deve ser confundido com a inflação oficial. Enquanto a inflação abrange diversos setores, como transporte e lazer, a cesta básica considera apenas itens essenciais, sendo um indicador mais sensível para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos.

Estratégias para economizar no dia a dia

Com o aumento de quase R$ 30 em um único mês, o impacto no orçamento doméstico é significativo. Em Ponta Grossa, esse cenário se soma a outras despesas em alta, como o gás de cozinha, ampliando a pressão financeira.

A recomendação é evitar deslocamentos longos em busca de preços mais baixos, já que o custo pode não compensar. Em vez disso, o consumidor pode aproveitar a variação de preços dentro do próprio supermercado, optando por marcas alternativas e substituições.

Produtos como carne, farinha, bolacha, itens de limpeza e higiene costumam apresentar diferenças relevantes de preço, o que pode gerar economia.

Outra orientação importante é evitar compras parceladas, especialmente em um cenário de juros elevados. Priorizar pagamentos à vista ajuda a manter o controle financeiro.

Tendência segue de atenção

A tendência para os próximos meses ainda é de cautela. Com fatores como combustíveis elevados, custos de produção altos e instabilidade climática, o equilíbrio do orçamento familiar deve continuar sendo um desafio para os moradores de Ponta Grossa.

Leia mais: Previsão da inflação sobe para 4,36% pela quarta vez seguida

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