Clima extremo na China ameaça safras e eleva preços
Eventos climáticos extremos na China, como inundações e calor recorde, estão ameaçando safras de milho, soja e algodão. A quebra de produtividade pode estimular a demanda externa chinesa e já impulsiona os preços na Bolsa de Chicago, com reflexos positivos para o produtor brasileiro.

Nas últimas semanas, a China tem enfrentado uma combinação severa de eventos climáticos extremos que estão ameaçando seriamente suas safras agrícolas. O país lida com um forte contraste, com o norte e o leste sofrendo com inundações históricas, ao mesmo tempo em que o noroeste registra calor extremo. A situação já repercute nos mercados globais de grãos, com altas expressivas na Bolsa de Chicago.
De acordo com informações da Reuters Internacional, de meados de julho ao final de agosto, as temperaturas em 50 estações meteorológicas, principalmente nas províncias de Jilin e Liaoning, grandes produtoras de milho e soja, bem como em Xinjiang, igualaram ou superaram os recordes históricos. No noroeste chinês, o calor que se aproximou dos 50ºC em alguns momentos provocou danos mais agressivos no algodão e no milho, acelerando a maturação prematura em extensas áreas, com a possibilidade das perdas no algodão chegarem aos 5%.
Contraste entre inundações e calor extremo
Do mesmo modo, em Henan, uma importante região produtora de milho e soja de verão na planície do norte da China, enfrentou uma onda de calor extremo em julho, seguida por fortes chuvas provenientes dos remanescentes do tufão Dolphin. A imagem abaixo mostra campos de milho destruídos pelas chuvas em excesso e inundações nas proximidades do rio Liuli, em junho, em Huairou, distrito de Pequim. Esse cenário de excesso e falta de água em diferentes regiões agrava as perdas nas lavouras.
O pesquisador agrícola da Guoyuan Futures, Liu Jinlu, explicou à Reuters que “o calor prolongado durante a fase crítica de polinização do milho na Planície do Norte da China pode reduzir a formação de grãos, enquanto as inundações representam riscos para os campos em áreas baixas no nordeste”. A declaração reforça a preocupação com a produtividade das safras chinesas nesta temporada.
Impacto na produtividade e demanda externa
A produtividade deverá ser menor, porém, de outro lado considera-se ainda um aumento de área de milho na China na atual temporada de 0,4% para 45,13 milhões de toneladas. Ainda assim, com uma qualidade menor dos grãos, a demanda externa dos chineses poderia ser estimulada. Esse movimento tende a beneficiar países exportadores, como o Brasil, que podem suprir a eventual necessidade de importação da China.
Os efeitos já são sentidos nos mercados futuros. O contrato dezembro do milho negociado na Bolsa de Chicago, em um mês, acumulou uma alta de 12,95%, saltando de US$ 4,74 para US$ 5,35 por bushel. Já o trigo registrou uma valorização, no mesmo período, de 12,6%, com o vencimento dezembro passando de US$ 6,60 para US$ 7,48 por bushel.
Soja acompanha alta e favorece Brasil
Os futuros da soja, que vão na carona dos grãos, acumulam ganhos de quase 5% em 30 dias, trazendo preços imediatamente melhores para o produtor brasileiro. A alta das commodities agrícolas pode representar uma oportunidade para o agronegócio nacional, especialmente em regiões produtoras como o Paraná, que tem forte participação nas exportações de soja e milho.
O cenário de quebra de safra na China e a consequente elevação dos preços internacionais reforçam a importância do monitoramento climático global para o planejamento do setor agrícola. A continuidade desses eventos extremos poderá trazer novos desdobramentos para o mercado de grãos nas próximas semanas.
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