Como backup no celular levou PF a prender MC Ryan, Poze e dono da Choquei
Dados do iCloud revelam movimentação de R$ 1,6 bilhão e ligam investigação a MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e página Choquei

A Polícia Federal avançou nas investigações da Operação Narco Fluxo após acessar dados armazenados em nuvem que ajudaram a detalhar um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo artistas e influenciadores digitais.
O ponto central da apuração foi a análise de um backup no iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, identificado pelos investigadores como responsável pela gestão financeira do grupo. O acesso ao conteúdo foi autorizado pela Justiça e permitiu a obtenção de documentos armazenados remotamente.
De acordo com a PF, os arquivos recuperados revelaram a estrutura das movimentações financeiras. Entre os materiais analisados estavam comprovantes bancários, extratos, registros empresariais e conversas privadas, o que possibilitou o cruzamento de informações com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A partir desse trabalho, os investigadores apontam a existência de uma organização criminosa que utilizaria diferentes meios para movimentar recursos, incluindo rifas digitais, apostas ilegais, dinheiro em espécie e criptoativos. A suspeita é de que o grupo tenha movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. A Justiça determinou o bloqueio de bens nesse valor, além da expedição de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.
A investigação também contou com ordens judiciais para que empresas de tecnologia, como Apple e Google, disponibilizassem dados vinculados aos investigados, incluindo conteúdos de e-mail e arquivos armazenados em nuvem. Segundo a PF, esse tipo de serviço mantém informações sincronizadas em tempo real, o que facilita o rastreamento das atividades financeiras, inclusive com a possibilidade de recuperação de dados apagados.
Entre os citados na investigação estão os artistas MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei. Também aparece nas apurações o influenciador Diogo 305.
Segundo a Polícia Federal, MC Ryan SP é apontado como líder do esquema e principal beneficiário financeiro, com uso de empresas do setor musical para misturar receitas lícitas com valores de origem ilícita. Já MC Poze do Rodo teria ligação com empresas relacionadas à circulação dos recursos, enquanto Raphael Sousa Oliveira é citado como possível operador de mídia.
As defesas dos investigados apresentaram posicionamentos. A defesa de MC Ryan SP argumenta que a movimentação financeira elevada é compatível com a atividade do artista. Já os advogados de MC Poze do Rodo informaram que ainda não tiveram acesso aos autos. A defesa de Diogo 305 nega envolvimento, enquanto os representantes de Raphael Sousa Oliveira afirmam que não há comprovação de conhecimento sobre eventuais irregularidades.
A Polícia Federal segue com a análise do material coletado para aprofundar as investigações e identificar a extensão das responsabilidades no caso.
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