Conflito na BR-376: obras afetam logística agrícola em Ponta Grossa
Enquanto obras são necessárias para reduzir riscos e melhorar as condições das estradas, o impacto imediato sobre o escoamento da safra coloca produtores e concessionária em lados opostos

Obras em rodovias federais e estaduais que cortam os Campos Gerais têm provocado um impasse entre produtores rurais e a concessionária responsável, impactando diretamente o escoamento da safra em Ponta Grossa e região.
O Sindicato Rural de Ponta Grossa formalizou uma denúncia junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) contra a concessionária PRVias (Motiva Paraná). A entidade aponta que intervenções nas rodovias BR-376 e PR-151 vêm causando congestionamentos intensos, comprometendo a logística do setor agrícola em um dos períodos mais críticos do ano.
Prejuízos no camo e cobrança por mudanças
De acordo com o presidente do sindicato, Gustavo Ribas Netto, a lentidão no tráfego tem gerado prejuízos financeiros significativos aos produtores rurais. A dificuldade no transporte da produção impacta diretamente prazos, custos e competitividade do agronegócio regional.
Diante do cenário, o setor solicitou a suspensão imediata das obras por um período de 60 dias. Como alternativa, os produtores defendem que os trabalhos sejam realizados exclusivamente no período noturno, evitando interferências durante o pico de escoamento da safra.
Concessionária alega segurança e obrigações constratuais
Em resposta, a PRVias afirmou que as intervenções são essenciais para garantir a segurança viária e a durabilidade do pavimento. Segundo a concessionária, as obras fazem parte dos chamados “Trabalhos Iniciais”, previstos no contrato de concessão, e seguem orientações técnicas da própria ANTT.
A empresa também destacou medidas adotadas para minizar os impactos no trânsito:
Operação em regime de força-tarefa 24 horas desde fevereiro;
Execução de serviços no período noturno em trechos com maior fluxo;
Monitoramento em tempo real por aplicativos e painéis informativos;
Ampliação de capacidade no km 493 da BR-376, com duas faixas no sentido norte.
ABBTT aponta falhas e cobra melhor planejamento
Apesar das justificativas, a análise da ANTT trouxe ressalvas importantes. Relatórios da coordenação regional indicam que a intensificação das obras ocorreu como resposta a atrasos na recuperação do pavimento — serviços que deveriam ter sido realizados anteriormente.
Outro ponto levantado pelo órgão regulador é a ausência de comprovação de que o planejamento da concessionária considerou o impacto das intervenções durante o período de safra, o que levanta questionamentos sobre a gestão das obras.
Decisão e alerta do órgão reguladorA ANTT concluiu que não há elementos suficientes para determinar a suspensão das obras por 60 dias, destacando a importância das melhorias para a segurança rodoviária no longo prazo.
Por outro lado, a agência alertou a concessionária sobre a necessidade de garantir níveis adequados de fluidez no tráfego, especialmente durante o período de colheita. A fiscalização seguirá acompanhando de perto o cronograma das intervenções.
Desafio entre infraestrutura e produção
O impasse escancara um desafio recorrente no Paraná: equilibrar a modernização da infraestrutura rodoviária com a dinâmica do agronegócio, um dos principais motores econômicos da região.
Enquanto obras são necessárias para reduzir riscos e melhorar as condições das estradas, o impacto imediato sobre o escoamento da safra coloca produtores e concessionária em lados opostos — em um debate que ainda deve gerar novos desdobramentos.
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