De veleiro do pó a rifas do funk: como a PF chegou à prisão de MC Ryan SP
PF rastreia esquema que começou com apreensão de 3 toneladas de cocaína em alto-mar e avançou para lavagem de dinheiro envolvendo bets e o cenário do funk brasileiro

A prisão temporária de Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, na manhã de quarta-feira (15), é resultado de uma longa investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) que começou em alto-mar e avançou até o universo do entretenimento e das finanças digitais.
A ação faz parte da Operação Narco Fluxo, mais recente fase de um conjunto de investigações que desarticulam uma organização criminosa com atuação internacional no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Do oceano ao crime organizado
O ponto de partida da apuração remonta a fevereiro de 2023, quando o veleiro brasileiro Lobo IV foi interceptado em águas internacionais, entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias. A embarcação transportava cerca de três toneladas de cocaína e foi apreendida pela Marinha dos Estados Unidos.
A partir desse episódio, a PF passou a mapear a estrutura criminosa por trás da operação, identificando conexões que iam além do transporte de entorpecentes.
Escalada das operações
Com o aprofundamento das investigações, a Polícia Federal deflagrou, em abril de 2025, a Operação Narco Vela. A ofensiva teve como foco a logística do tráfico internacional, com cumprimento de dezenas de mandados judiciais no Brasil e no exterior. Ao todo, foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva, 31 temporárias e 62 de busca e apreensão. A ação também teve desdobramentos em países como Estados Unidos, Itália e Paraguai.
Na ocasião, a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens que somaram R$ 1,32 bilhão, evidenciando o alcance financeiro da organização.
Meses depois, em outubro de 2025, foi a vez da Operação Narco Bet, que direcionou as investigações para o fluxo financeiro do grupo. Segundo a PF, parte dos recursos oriundos do tráfico era direcionada a empresas de apostas eletrônicas — as chamadas “bets” — como forma de ocultar a origem ilícita do dinheiro e reinseri-lo no sistema financeiro com aparência legal.
O elo com o entretenimento
Já em abril de 2026, a Operação Narco Fluxo ampliou o foco para a indústria do entretenimento. De acordo com os investigadores, o grupo passou a utilizar eventos, rifas e atividades ligadas ao cenário do funk como possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro.
É nesse contexto que surge o nome de MC Ryan SP. A PF apura a possível utilização da imagem e de atividades do artista para movimentações financeiras suspeitas, embora os detalhes da participação ainda estejam sob investigação.
Estrutura sofisticada
Segundo a Polícia Federal, a organização atuava de forma estruturada e transnacional, com múltiplas camadas de operações financeiras. Esse modelo permitia dificultar o rastreamento dos valores e ampliava a capacidade de inserção do dinheiro ilícito em setores formais da economia.
As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos não estão descartados. A defesa do artista ainda não se manifestou oficialmente até o fechamento desta matéria.
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