Defesa aponta lesão anterior à denúncia de abuso sexual em escola de PG
Defesa afirma que a marca foi comunicada à família e fotografada; três professoras e a diretora prestaram depoimento ao Nucria

O advogado Fernando Madureira, responsável pela defesa da professora acusada de negligência no caso que apura uma suspeita de abuso sexual contra uma criança de 3 anos em uma escola de Ponta Grossa, apresentou a versão da profissional sobre os fatos. A investigação está sob responsabilidade do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria).
Segundo Madureira, três professoras e a diretora da instituição foram ouvidas na manhã desta terça-feira (1º) pela Polícia Civil. De acordo com a defesa, os depoimentos teriam esclarecido que, no dia apontado pela família, a criança não ficou sozinha ou isolada e não apresentou alteração em sua rotina dentro da escola.
“Não teve nenhuma situação anormal que pudesse indicar que ela foi abusada sexualmente”, afirmou o advogado. A declaração representa a versão da defesa e não antecipa a conclusão da investigação policial.
Defesa cita registro anterior
Fernando Madureira também afirmou que a professora teria identificado uma lesão nas nádegas da criança no dia 11 de agosto, 16 dias antes da data indicada no boletim de ocorrência.
Conforme o advogado, a profissional registrou a situação na agenda escolar do aluno e fez uma fotografia da lesão para preservar a informação. A defesa sustenta que a marca seria incompatível com uma assadura.
Segundo Madureira, no dia seguinte, a mãe teria informado à instituição que se tratava de uma assadura comum. O advogado defende que esse episódio também seja analisado pela Polícia Civil durante a apuração.
“Se a criança está sofrendo algum tipo de violência, com certeza não foi na instituição de ensino e nem quando estava aos cuidados da minha cliente”, declarou.
Advogado critica exposição da professora
O defensor também criticou a divulgação do nome da professora e da instituição nas redes sociais antes da conclusão da investigação. Ele afirmou que a profissional não pode ser responsabilizada publicamente sem a comprovação dos fatos.
“É lamentável e irresponsável que pessoas venham a público dar o nome da professora e da instituição, acusando que houve abuso sexual dentro da escola”, afirmou. Madureira reconheceu a gravidade da denúncia e ressaltou que qualquer suspeita envolvendo violência contra uma criança deve ser apurada. No entanto, pediu cautela para evitar acusações antecipadas e danos à honra da professora.
Investigação continua no Nucria
O caso foi registrado após a família relatar mudanças no comportamento da criança ao buscá-la na escola, no dia 27 de agosto. Segundo a mãe, o menino apresentou tristeza, incômodo ao sentar e, posteriormente, teria contado que uma pessoa praticou atos de natureza sexual contra ele.
A criança passou por exame no Instituto Médico-Legal (IML), e o respectivo laudo poderá auxiliar a investigação. A família também formalizou uma denúncia no Núcleo Regional de Educação (NRE), pedindo a verificação das câmeras, dos registros de atendimento, das pessoas que tiveram contato com o aluno e dos protocolos adotados pela escola.
As declarações da família e da defesa serão confrontadas com depoimentos, imagens, documentos e eventuais laudos. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou uma conclusão sobre o que ocorreu nem identificou oficialmente um responsável.
O nome da criança e outras informações que possam permitir sua identificação foram preservados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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