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Policial

Delegado alerta que “empréstimo fácil” com agiotas financia rede de tortura, extorsão e até homicídios

Em entrevista, o delegado Wesley Vinicius explica como a falsa facilidade dos empréstimos irregulares atrai criminosos que utilizam tortura, extorsão e crueldade para cobrar juros impagáveis.

Delegado alerta que "empréstimo fácil" com agiotas financia rede de tortura, extorsão e até homicídios
Delegado alerta que “empréstimo fácil” com agiotas financia rede de tortura, extorsão e até homicídios
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O aumento expressivo nos casos de agiotagem em Ponta Grossa e região tem acendido um alerta vermelho nas forças de segurança. A prática, muitas vezes vista por vítimas desesperadas como uma “saída rápida” para problemas financeiros, esconde um submundo de violência extrema.

Para entender a gravidade da situação e como a polícia está atuando frente a essa onda de crimes, conversamos com o Delegado Wesley Vinicius, do Setor de Homicídios da 13ª Subdivisão Policial (SDP) de Ponta Grossa.

Muito Além dos Juros: A Rota da Violência

De acordo com o Dr. Wesley Vinicius, o crime de agiotagem — tipificado legalmente como crime de usura pela Lei de Crimes contra a Economia Popular — quase nunca ocorre de forma isolada. A cobrança de juros exorbitantes, que rapidamente se tornam impagáveis, é apenas o primeiro passo de uma engrenagem criminosa.

“Na grande maioria das vezes, a pessoa que comete a agiotagem também vai estar cometendo ameaças contra as pessoas que contraíram as dívidas. Caso essas ameaças não surtam efeito, eles partem para agressões e para a violência”, explica o delegado.

O quadro criminal costuma evoluir rapidamente, englobando delitos gravíssimos que chegam a chocar a região. O delegado detalha que o devedor e sua família passam a ser alvo de crimes como:

  • Lesão corporal por meio de espancamentos.

  • Tortura para obtenção de informações.

  • Extorsão para forçar pagamentos indevidos.

  • Crueldade contra animais, utilizada como forma de intimidação psicológica (como registrado em casos recentes na cidade).

  • Homicídio, o estágio final e fatal da cobrança.

“O agiota só vai conseguir exercer esse papel se tiver pessoas que aceitem esse empréstimo. Independente da situação socioeconômica, não vale a pena colocar em risco a sua integridade física, a de seus familiares e a sua própria vida”, alerta o delegado.

Penas Rigorosas e a Situação de Estrangeiros

A atuação integrada entre a Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Civil Municipal tem intensificado o cerco contra essas quadrilhas. O crime de agiotagem e os delitos associados a ele podem render penas que ultrapassam os 10 anos de prisão.

Questionado sobre o frequente envolvimento de estrangeiros nesses esquemas de cobrança violenta na região, o Dr. Wesley foi categórico: a lei é para todos. “Se uma pessoa que não tem a nacionalidade brasileira, mas reside no país, comete o crime de agiotagem aqui, ela vai responder conforme as leis brasileiras no processo penal regular, como qualquer outra pessoa”, garantiu.

Sendo Ameaçado? Saiba Como Agir e Denunciar

O medo é a principal arma dos agiotas para manter o esquema funcionando. No entanto, o delegado reforça que o silêncio apenas fortalece os criminosos. Para quem pegou dinheiro emprestado, não conseguiu pagar os juros abusivos e está sofrendo ameaças, o protocolo de segurança é claro:

  • Procure a 13ª SDP Imediatamente: A vítima deve se dirigir à delegacia para registrar o Boletim de Ocorrência. A Polícia Civil garante que o registro é feito de forma sigilosa para não expor a vítima e não prejudicar sua segurança.

  • Denúncia Anônima via 181: Caso o temor de ir à delegacia seja muito grande, a vítima ou qualquer cidadão pode ligar para o número 181. É fundamental repassar todas as informações possíveis, como nomes, contatos telefônicos e características dos cobradores.

Com as informações em mãos, a Polícia Civil toma as providências imediatas para a condução ou prisão em flagrante dos suspeitos, permitindo que a vítima preste mais esclarecimentos posteriormente, já em um ambiente seguro.

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Igor Rugilo
Autoria
Igor Rugilo
Igor Rugilo é repórter policial no Boca no Trombone desde 2023. Com mais de uma década na comunicação, iniciou sua trajetória em 2013 como sonoplasta em uma rádio da cidade, onde despertou a paixão pela área policial. Tendo cursado Jornalismo na Unisecal, hoje dedica-se à cobertura de segurança pública, levando informação ágil aos leitores.
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