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Deputado italiano questiona cidadania dos Bolsonaro

O deputado Angelo Bonelli, do Europa Verde, pediu explicações aos ministérios italianos sobre as cidadanias dos irmãos Bolsonaro. O questionamento ocorre após Flávio Bolsonaro usar passaporte italiano para viajar aos EUA. Os processos de reconhecimento foram concluídos em cerca de um ano, enquanto a espera consular pode chegar a dez anos.

Deputado italiano questiona cidadania dos Bolsonaro
Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro — Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados; Mário Agra/Câmara dos Deputados
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O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, encaminhou na quarta-feira (28) um pedido de explicações aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália sobre as cidadanias italianas de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. O questionamento ocorre após Flávio Bolsonaro deixar a Argentina rumo aos Estados Unidos usando um passaporte italiano, depois de ter o documento brasileiro cancelado por descumprir uma ordem da Polícia Federal para entregá-los.

Segundo o ofício, ao qual a RFI teve acesso, os processos de reconhecimento da cidadania de Flávio e Eduardo Bolsonaro foram concluídos em cerca de um ano. A fonte não detalhou o tempo exato do processo de Carlos.

Reconhecimento rápido em meio a longas filas

Flávio e Eduardo tiveram a cidadania italiana reconhecida em 2023, enquanto Carlos recebeu o reconhecimento em 2024. O pedido foi feito com base no princípio do jus sanguinis – o direito à cidadania por descendência. A família teria apresentado como ascendente um bisavô de Jair Bolsonaro, originário do Vêneto, no norte da Itália.

De acordo com datas fornecidas anteriormente pelo próprio governo italiano à Bonelli, os irmãos teriam feito a solicitação na Embaixada da Itália em Brasília nove dias depois de Jair Bolsonaro perder as eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora o prazo legal máximo para a conclusão do processo seja de 730 dias, contados a partir da apresentação da documentação completa, a espera por uma convocação no consulado pode chegar a dez anos, em meio ao grande volume de pedidos no Brasil, segundo a interpelação.

Debate sobre cidadania e Justiça no Brasil

O caso também amplia na Itália o debate sobre aqueles que recorrem à cidadania italiana enquanto respondem à Justiça no Brasil. Essa preocupação aparece na interpelação apresentada por Bonelli, que menciona as investigações contra Flávio Bolsonaro por suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades ligadas ao financiamento do filme Dark Horse.

Outro caso que ganhou repercussão é o de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Ele é réu no STF por acusações relacionadas à divulgação de mensagens sigilosas e atualmente vive na Itália. Tagliaferro não é um político, mas suas denúncias contra Moraes receberam amplo apoio de bolsonaristas.

Repercussão internacional da fuga

A fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil e a carta que ele publicou na noite de quarta-feira ganharam destaque na imprensa italiana e em outros veículos europeus. Na primeira versão, o senador se declarou “o verdadeiro presidente eleito”. Depois, recuou e passou a se definir como “líder do Brasil”.

O italiano Corriere della Sera informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, depois de autorizar a entrada do senador e sua família nos Estados Unidos, afirmou que não pretendia se envolver na disputa sobre a eleição brasileira. No título, o jornal resumiu: “Trump o abandona”.

O britânico The Guardian chamou a atenção para as diferentes versões da carta. Uma delas trazia um brasão antigo, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com Z – “o que alguns viram como mais um sinal da subserviência do clã Bolsonaro aos Estados Unidos”, escreveu o jornal. O nome oficial atual do país é “República Federativa do Brasil”.

Já o espanhol El País destacou as comparações que Flávio fez entre sua saída do Brasil e a trajetória de líderes que viveram no exílio, como Charles de Gaulle, Rui Barbosa e José Martí.

O pedido de explicações de Bonelli segue em análise nos ministérios italianos. A fonte não detalhou prazos para resposta. O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando o desdobramento do caso.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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