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E quando a pessoa que morreu no acidente é o seu parente?

Recebi a notícia da morte do meu primo Jeferson, o “Toco”, em um acidente no MT. Como noticiar que a vítima do acidente é o seu parente?

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Reprodução e redes sociais
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Hoje escrevo diferente. Esse texto não é só uma reflexão profissional — é um desabafo pessoal. Aqui quem escreve é ​​Marcos Silva, do portal BnT Online, que todos os dias divulga tragédias, acidentes, histórias de perdas e de dor. Mas nesta quarta-feira, 17 de setembro, a notícia chegou para mim de um jeito que nunca tinha chegado antes: o acidente que eu lia nas manchetes não era sobre “alguém”, era sobre a morte do meu primo, Jeferson Cássio da Silva, o “Toco”. E aí veio a pergunta: e quando a pessoa que morreu no acidente é seu parente?

Ele morreu em um acidente numa estrada do Mato Grosso. E eu fiquei sabendo disso, em detalhes, lendo uma notícia no Blog do Berimbau. Foi lá que encontrei os detalhes que ninguém na família conseguia me explicar. As mensagens de WhatsApp estavam cheias de desespero, choro, incertezas — e foi na notícia, fria e objetiva, que encontrei um pouco de ordem no meio do caos.

O impacto de ler e sentir

Ler aquela notícia foi como levar um soco. É estranho estar do outro lado — ser a família que espera notícias. Ao mesmo tempo em que senti uma dor profunda, senti a necessidade de ler cada detalhe: onde aconteceu, que horas foi, como foi o acidente. É dolorido, mas necessário.

Por mais que eu viva no meio da notícia, que eu publique fatos duros de serem lidos todos os dias, dessa vez eu era o parente que precisava de informações. E foi o trabalho correto de outro jornalista que me deu a confirmação que eu precisava.

E se o morto fosse o seu parente?

Já ouvi muitas vezes a pergunta: E se fosse seu parente? Você publicaria?”
Pois agora posso responder de um jeito diferente: sim, eu publicaria — desde que fosse com responsabilidade, com apuração, com o cuidado que minha família recebeu do Blog do Berimbau.

Graças à forma como a notícia foi divulgada, minha família pôde entender o que aconteceu e se preparar para se despedir. Viajo para Ivaiporã (PR), cidade onde cresci junto com Jeferson, para acompanhar o velório e o sepultamento. Lá, ele deixa dois filhos, uma ex-esposa, a irmã, a mãe e tantos outros parentes e amigos que agora vivem o mesmo luto que eu.

Quem morreu é o seu parente

Publicar tragédias nunca é simples. Mas hoje percebo, mais do que nunca, como é importante fazê-lo de forma correta. Não é sobre audiência, não é sobre cliques — é sobre pessoas reais.

E como primo, como parente, agradeço a quem noticiou com responsabilidade. Porque, em meio à dor, a verdade é uma forma de cuidado. É o que ajuda a gente a sair da escuridão da dúvida e começar a entender o que aconteceu.

Marcos Silva
Autoria
Marcos Silva
Jornalista associado à Abrajet-PR, formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com MBA em Gestão da Comunicação Empresarial (TUIUTI). Profissional com quase 20 anos de atuação em redações de rádio, jornal e portais de notícia.
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