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Ponta Grossa

Educação inclusiva em Ponta Grossa é alvo de denúncias por exclusão de alunos autistas no período integral

Conselho denuncia falhas na educação inclusiva em Ponta Grossa e aponta exclusão de alunos autistas do período integral.

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A educação inclusiva em Ponta Grossa voltou ao centro do debate após o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) denunciar o que classificou como “falsa inclusão” na rede municipal, especialmente no atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) matriculadas no período integral.

Durante reunião realizada em dezembro de 2025, conselheiros relataram preocupação com práticas que estariam limitando a permanência de alunos autistas nas escolas que adotam o regime de tempo integral. Segundo os relatos apresentados ao colegiado, algumas crianças não estariam permanecendo durante todo o período, o que, na avaliação do conselho, pode configurar descumprimento da legislação que garante acesso pleno à educação.

Exclusão no período integral preocupa conselheiros

A principal crítica envolve justamente o funcionamento das escolas integrais. Para os conselheiros, impedir ou restringir a permanência desses alunos compromete a efetividade das políticas públicas voltadas à inclusão e fere o direito à igualdade de condições no ambiente escolar.

Além da questão jurídica, o tema levanta preocupação pedagógica. A redução da carga horária pode impactar diretamente o desenvolvimento educacional e social das crianças com laudo médico, ampliando desigualdades dentro da própria rede municipal.

Fechamento de unidades especializadas agrava cenário

Outro ponto destacado nas discussões foi o fechamento de escolas especializadas em Ponta Grossa. O conselheiro Marcelo Oliveira Bleme afirmou que a desativação dessas unidades teria deixado famílias sem alternativas adequadas de atendimento educacional especializado.

A situação também foi confirmada pelo Conselho Tutelar. A conselheira Vivian Iaciuk Grzebielucka relatou aumento significativo na procura por orientações e denúncias relacionadas à falta de suporte adequado nas escolas de período integral.

Propostas não acolhidas

A conselheira Nathanie de Abreu relembrou que propostas formais já foram apresentadas ao poder público, incluindo a sugestão de dobrar a meta de atendimento para cada aluno com laudo médico, garantindo mais recursos humanos e pedagógicos. No entanto, segundo ela, as propostas não foram acatadas.

As deliberações constam na Ata nº 26/2025 do CMDCA e evidenciam um cenário de alerta para a rede municipal. O debate sobre educação inclusiva em Ponta Grossa agora ganha novos contornos, com questionamentos sobre a efetividade das políticas aplicadas e o cumprimento das garantias legais previstas às crianças com necessidades educacionais especiais.

Leia mais: STF derruba Escola Sem Partido no Paraná e reforça limites para leis municipais sobre educação

Nilson de Paula
Autoria
Nilson de Paula
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela mesma instituição e produtor cultural. Atua como pesquisador das rotinas e das produções jornalísticas, com foco em relações étnico-raciais, história e política, articulando comunicação, análise social e práticas culturais em sua trajetória profissional e acadêmica.
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