Empresária de agência de viagens presa em PG havia negado crime em entrevista ao BnT
Caren Graziele Alves Pinheiro havia afirmado ao Portal BnT que problemas ocorreram por dificuldades financeiras e falhas na administração da agência; Polícia Civil investiga suspeita de estelionato

A empresária Caren Graziele Alves Pinheiro, proprietária da agência de turismo Quero Viajar, de Ponta Grossa, foi presa preventivamente nesta sexta-feira (18) pela Polícia Civil durante uma investigação que apura suspeita de estelionato envolvendo clientes que contrataram pacotes de viagens e não conseguiram embarcar.
O caso ganhou repercussão em julho, quando clientes procuraram o Portal BnT Online relatando prejuízos após o cancelamento de uma viagem para Porto de Galinhas (PE), prevista para ocorrer entre os dias 13 e 19 de julho. Na época, mais de 20 boletins de ocorrência já haviam sido registrados na 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, com relatos de consumidores que afirmavam ter pago pelos pacotes, mas descoberto próximo da data do embarque que não havia reservas de hotel ou passagens emitidas.
Durante entrevista exclusiva ao BnT Online, a empresária reconheceu que não conseguiu cumprir uma das viagens contratadas, mas negou que tivesse intenção de aplicar golpes. Segundo ela, a situação teria sido causada por dificuldades financeiras e problemas de administração da empresa. “Não tinha o intuito de dar golpe. Quem me conhece sabe disso. Se fosse para dar golpe, teria feito isso lá no começo”, afirmou Caren durante a entrevista ao BnT.
Na ocasião, a empresária disse que costumava utilizar recursos próprios para completar valores de excursões quando o número mínimo de passageiros não era atingido. Ela afirmou ainda que enfrentou dificuldades após um afastamento pelo INSS, o que teria provocado aumento das dívidas e comprometido o funcionamento da agência.
Segundo Caren, a intenção era organizar a contabilidade da empresa e buscar uma forma de ressarcir os clientes prejudicados. “Todo mundo vai ter uma solução, seja agora ou posteriormente”, declarou na entrevista.
Investigação avançou e empresária foi presa
Após o avanço das investigações, a Polícia Civil apontou que ao menos 20 pessoas registraram prejuízos relacionados aos pacotes vendidos pela agência. Conforme as informações divulgadas pela investigação, os pagamentos eram feitos antecipadamente por Pix ou transferência bancária, e haveria suspeita de que parte dos valores tenha sido encaminhada para contas de terceiros, incluindo uma conta em nome da mãe da empresária.
A investigação apura viagens para destinos como Porto de Galinhas, Gramado e Rio de Janeiro. Conforme divulgado pela Polícia Civil, após os pagamentos dos clientes, não teriam sido realizadas reservas de hospedagem, emissão de passagens aéreas ou contratação de serviços previstos nos pacotes.
Mensagens apresentadas durante a investigação mostram clientes buscando informações sobre viagens já pagas. Em um dos casos, faltando poucos dias para o embarque, uma passageira questionou se havia reservas para o grupo e recebeu como resposta que, até aquele momento, não havia confirmação.
Prisão preventiva não representa condenação
O pedido de prisão preventiva foi feito pelo delegado Gabriel Munhoz e aceito pela Justiça. O mandado foi cumprido pela 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa nesta sexta-feira (18). A prisão preventiva é uma medida cautelar durante a investigação e não representa condenação definitiva.
Caren Graziele Alves Pinheiro é investigada por estelionato e terá direito à defesa durante o andamento do processo. A defesa informou que iria se manifestar após a audiência de custódia.
A Polícia Civil orienta que outras pessoas que tenham contratado serviços da agência e enfrentado problemas procurem uma delegacia, levando documentos como comprovantes de pagamento, contratos e conversas realizadas por aplicativos de mensagem. O caso segue em investigação.
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