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Ponta Grossa

Enquete aponta que 74,6% rejeitam lei sobre entregas em condomínios de Ponta Grossa

Enquete sobre entregas em condomínios de Ponta Grossa mostra que 74,6% dos moradores ouvidos pelo Secovi-PR são contrários à nova lei.

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Divulgação
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Uma enquete sobre entregas em condomínios de Ponta Grossa realizada pelo Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Regional Campos Gerais, aponta forte rejeição à Lei Municipal nº 15.929/2026. Entre os 796 moradores participantes, 594, o equivalente a 74,6%, disseram ser contrários à legislação. Outros 202, ou 25,4%, afirmaram ser favoráveis.

A legislação, de autoria do vereador Dr. Erick (PV), foi aprovada pela Câmara Municipal de Ponta Grossa em junho. O texto estabelece que moradores não podem exigir que trabalhadores responsáveis por entregas entrem nas áreas internas dos condomínios para levar pedidos até a porta dos apartamentos ou residências.

Pela regra, a entrega deve ocorrer na portaria ou em outro ponto previamente determinado pela administração do condomínio. A medida atinge serviços de entrega de refeições, medicamentos, compras de supermercado e pequenas encomendas.

Segundo a Câmara Municipal, a proposta busca reduzir conflitos, constrangimentos e situações de insegurança envolvendo entregadores.

Maioria prefere receber pedido na porta

Outro dado levantado pelo Secovi-PR mostra que 74,1% dos participantes preferem receber suas encomendas diretamente na porta da residência. Foram 590 moradores que indicaram essa opção, contra 206, ou 25,9%, que preferem buscar os produtos na portaria.

A opinião, no entanto, muda significativamente dependendo do modelo do condomínio.

Nos condomínios horizontais, 89% dos participantes disseram ser contrários à legislação, enquanto 88,8% preferem que as entregas sejam feitas diretamente na residência.

Nos condomínios verticais formados por vários blocos, 75,5% são contrários à lei e 79,1% afirmam preferir receber as encomendas na porta.

Já entre moradores de edifícios verticais de bloco único, o cenário se inverte. Nesse grupo, 73,6% são favoráveis à legislação, enquanto 82,9% preferem retirar os pedidos na portaria.

Para o Secovi-PR, os números indicam que as características estruturais dos condomínios influenciam diretamente a opinião dos moradores.

Mais de 93% defendem consulta antes da lei

A enquete também questionou os moradores sobre a discussão realizada antes da aprovação do projeto.

Segundo o levantamento, 745 participantes, ou 93,6%, consideram que moradores e entregadores deveriam ter sido ouvidos antes da aprovação da proposta.

Além disso, 406 entrevistados, correspondentes a 51% da amostra, afirmaram que não conheciam a legislação antes de participar da enquete.

O administrador de condomínios Bruno Ronchi afirma que a legislação deverá ser cumprida, mas considera que existem realidades diferentes entre os empreendimentos.

Segundo ele, em determinados condomínios horizontais, um morador pode precisar percorrer uma distância significativa até a portaria para buscar uma encomenda.

“Em alguns complexos residenciais, por exemplo, o morador precisaria se deslocar por uma distância significativa, muitas vezes a pé, chegando a percorrer quase um quilômetro entre ida e volta até a portaria para receber uma refeição ou encomenda”, afirma.

Ronchi defende que as características específicas de cada condomínio sejam consideradas na discussão.

Secovi teme impacto no delivery

O presidente do Secovi-PR, Carlos Ribas Tavarnaro, destacou que a entidade reconhece a importância dos profissionais responsáveis pelas entregas, mas avalia que os setores afetados deveriam ter participado de forma mais ampla da construção da legislação.

Segundo Tavarnaro, os resultados também levantam a possibilidade de mudanças no comportamento dos consumidores.

Entre participantes residentes em condomínios horizontais, 73,9% disseram que, em determinadas situações, como pedidos de pizzas ou lanches, pode ser mais vantajoso buscar o produto diretamente no estabelecimento do que utilizar o serviço de entrega caso seja necessário caminhar até a portaria.

O uso de delivery é frequente entre o público ouvido. Nos condomínios horizontais, 51,9% afirmaram fazer pedidos algumas vezes por semana e 4,3% diariamente. Nos condomínios verticais de vários blocos, 43,4% usam o serviço algumas vezes por semana e 6,4% todos os dias.

Porteiros também foram ouvidos

O Secovi-PR também consultou oito empresas responsáveis por serviços de portaria.

Entre os representantes entrevistados, 75% avaliaram que as partes envolvidas deveriam ter sido ouvidas antes da tramitação do projeto na Câmara.

Além disso, 62,5% acreditam que o recebimento obrigatório das encomendas pode interferir na rotina das portarias, enquanto 87,5% disseram que porteiros podem se sentir desconfortáveis ao assumir a responsabilidade de guardar pedidos até que os moradores façam a retirada.

Apesar dessas preocupações, 75% desse grupo se declarou favorável à legislação.

A maioria, porém, defende mudanças estruturais: 87,5% preferem soluções como pontos específicos para recebimento de encomendas ou armários inteligentes.

Enquete ouviu moradores de 75 condomínios

Ao todo, a enquete do Secovi-PR Regional Campos Gerais teve a participação de 796 moradores de 75 condomínios identificados em Ponta Grossa, incluindo empreendimentos horizontais e verticais.

A entidade também tentou incluir motofretistas no levantamento, mas informou que a adesão dos trabalhadores foi baixa e não permitiu a formação de uma amostra considerada adequada.

O Secovi-PR ressalta que os condomínios deverão cumprir a legislação municipal em vigor, mas considera que os números obtidos podem servir como subsídio para futuras discussões sobre eventuais alterações ou aperfeiçoamentos da norma.

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Diogo Laba
Autoria
Diogo Laba
Jornalista formado pela UEPG, atuo como repórter no BnT Esporte Clube e no jornalismo diário do BnT. Comprometido com uma cobertura responsável, dinâmica e pautada pela qualidade da informação.
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