Ex-assessor de Fauci admite culpa em caso de registros da Covid
David Morens, ex-assessor de Anthony Fauci, declarou-se culpado de conspirar para ocultar registros federais sobre as origens da covid-19. A sentença está marcada para novembro, e o caso intensifica pressão de republicanos sobre Fauci.

David Morens, ex-assessor de Anthony S. Fauci nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, declarou-se culpado na terça-feira, 18, de conspirar para ocultar registros federais relacionados às origens do surto de coronavírus na China.
Além disso, a confissão foi formalizada perante a Justiça norte-americana e ocorre em meio à crescente pressão de legisladores republicanos sobre Fauci, que enfrenta acusações de tentar encobrir informações sobre o vazamento da covid-19 de um laboratório chinês.
Consequentemente, o caso expõe questionamentos sobre transparência na principal agência de pesquisa médica do país e reacende o debate sobre as origens da pandemia.
Admissão de culpa e pena prevista
Timothy Belevetz, advogado de Morens, declarou: “Ao declarar-se culpado hoje, o Dr. Morens assumiu a responsabilidade por seus atos e continuará a fazê-lo”.
Um juiz federal marcou a sentença para novembro. Ademais, Morens pode pegar até cinco anos de prisão.
E-mails revelam planos para ocultar registros
Em e-mails de 2020 e 2021, divulgados por uma comissão da Câmara, Morens descreveu planos para burlar as leis federais sobre registros públicos, inclusive aprendendo como “fazer e-mails desaparecerem”.
Além disso, o conteúdo das mensagens foi revelado após investigações conduzidas por parlamentares norte-americanos e gerou reações imediatas no Congresso.
Ademais, Morens admitiu ter trabalhado com Daszak e outro cientista para preparar informações a serem repassadas a Fauci, referido na exposição dos fatos como um funcionário não identificado do NIAID.
O documento não acusa Fauci de irregularidades. Além disso, em troca de ajudar Daszak, Morens disse ter recebido gratificações ilegais, incluindo duas garrafas de vinho e a promessa de uma refeição futura em um restaurante com estrela Michelin.
A identidade do outro cientista não foi revelada na exposição dos fatos. Consequentemente, essas revelações reforçam as suspeitas de que registros oficiais teriam sido deliberadamente ocultados durante a pandemia.
Fauci nega conhecimento e chama conduta de “errada”
Por outro lado, Fauci, diretor de longa data do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), afirmou a uma comissão da Câmara em 2024 que a conduta de Morens foi “errada e inadequada” e que ele não tinha conhecimento de cientistas do governo tentando ocultar e-mails oficiais.
Além disso, em depoimento ao Congresso no mesmo ano, Fauci também declarou não ter conhecimento de cientistas do governo sob sua supervisão realizando trabalhos oficiais por meio de contas de e-mail pessoais ou auxiliando de forma inadequada beneficiários de verbas federais.
“O que vocês viram, acredito eu, no caso do Dr. Morens, foi uma anomalia, um caso isolado”, disse Fauci na ocasião.
A declaração de culpa de Morens, porém, contrasta com essa avaliação e alimenta o ceticismo de parlamentares republicanos. Além disso, essas acusações de encobrimento têm impulsionado investigações no Congresso sobre as origens da pandemia.
Em seguida, Fauci também compareceu a uma audiência da Comissão de Segurança Interna do Senado em Washington, no dia 29 de julho, conforme registrado por Haiyun Jiang, do The New York Times.
Pressão republicana e desdobramentos
Dessa forma, a confissão de culpa de Morens ocorreu após anos de esforços de legisladores republicanos para vincular Morens, Fauci e a principal agência de pesquisa médica do país ao início da pandemia de coronavírus.
Ademais, a oposição republicana tem pressionado por mais transparência sobre as origens do vírus, especialmente a hipótese de vazamento de laboratório.
A sentença de Morens está marcada para novembro, e o caso deve influenciar as investigações em andamento no Congresso. Consequentemente, com a admissão de culpa, o caso ganha novo capítulo na investigação sobre as origens da pandemia.
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