Israel investiga as mortes de Hind Rajab e de 15 socorristas
As Forças Armadas de Israel anunciaram abertura de investigações criminais sobre a morte de Hind Rajab, menina palestina de 5 anos, e de 15 socorristas. Relatório admite que soldados atiraram contra o carro da criança. Casos ocorreram em Gaza em 2024 e 2025.

As Forças Armadas de Israel anunciaram, nesta quarta-feira (19), a abertura de investigações criminais sobre a morte de Hind Rajab, menina palestina de 5 anos, e de 15 socorristas palestinos. O anúncio ocorreu após a conclusão de análises sobre 150 incidentes envolvendo a conduta das tropas em Gaza, conforme comunicado oficial.
As investigações abrangem os seguintes casos:
- Morte de Hind Rajab, menina palestina de 5 anos, em fevereiro de 2024;
- Morte de 15 socorristas palestinos, em maio de 2025.
A decisão foi divulgada em comunicado que informa a conclusão das análises e a tomada de decisões sobre cinco casos. A fonte não informou prazo para a conclusão das investigações.
A morte de Rajab, em fevereiro de 2024, e a dos 15 socorristas, em maio de 2025, tiveram repercussão internacional.
Morte de Hind Rajab
Hind Rajab foi morta junto com parentes em 2024, enquanto tentava fugir da Cidade de Gaza em meio a uma ofensiva israelense. Tropas israelenses abriram fogo contra um veículo que transportava Hind, quatro de seus primos e seus tios.
Ela conseguiu ligar para um serviço de emergência diversas vezes pedindo ajuda, mas seu corpo foi encontrado dias depois. Hind foi a única sobrevivente no carro. O Crescente Vermelho manteve contato com ela enquanto tentava obter permissão dos militares para resgatá-la. O contato foi perdido.
Hind, seus cinco parentes e dois socorristas foram encontrados mortos 12 dias depois.
Chamada de emergência
A prima de Hind, Layan Hamada, de 15 anos, ligou para a central de socorro do Crescente Vermelho Palestino, informando que um tanque se aproximava e que sua família havia sido morta. Segundos depois, mais disparos foram ouvidos e os gritos de Layan cessaram, segundo a gravação da chamada feita pelo Crescente Vermelho.
Relatório admite disparos
As Forças Armadas de Israel admitiram, em relatório publicado nesta quarta-feira (19), que seus soldados atiraram contra o carro onde estava Hind Rajab. A admissão reforça a decisão de abrir investigações criminais sobre o caso.
Socorristas mortos em Rafah
Os 15 socorristas foram mortos quando tropas israelenses abriram fogo contra seus veículos na cidade de Rafah, no sul de Gaza, e depois os enterraram em uma vala comum. As tropas atiraram contra uma primeira ambulância que se dirigia para resgatar vítimas de uma ofensiva israelense e, em seguida, dispararam contra vários outros veículos de emergência que haviam saído à procura do primeiro, segundo imagens de celular e o relato do único sobrevivente dos disparos.
As tropas então passaram com tratores sobre os corpos e os veículos destruídos, enterrando-os em uma vala comum. A ONU e as equipes de resgate só conseguiram chegar ao local uma semana depois para recuperar os corpos.
Versão militar foi revisada
Inicialmente, o exército israelense afirmou ter aberto fogo porque os veículos avançavam de forma suspeita em direção a tropas próximas, sem faróis ou sinais de emergência. No entanto, a versão foi revista após a divulgação de imagens que mostravam as equipes do Crescente Vermelho e da Defesa Civil trafegando lentamente, com as luzes de emergência acesas e os logotipos visíveis.
A revisão da versão militar contribuiu para a decisão de abrir investigações criminais. A fonte não detalhou o progresso dessas investigações nem eventuais punições.
Repercussão internacional
A morte de Hind Rajab, em fevereiro de 2024, ganhou repercussão internacional. Um retrato da menina foi colocado em uma praia de Barcelona, em 29 de janeiro de 2026, como forma de homenagem, segundo foto da Reuters.
A morte dos 15 socorristas, em maio de 2025, também teve repercussão global. As investigações anunciadas buscam esclarecer a conduta das tropas em ambos os episódios.
Outro ataque em Gaza
Em outra frente, um ataque de Israel contra um hospital em Gaza matou pelo menos 20 pessoas, com jornalistas e socorristas entre as vítimas, segundo informações divulgadas pela fonte.
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