Flávio Bolsonaro pede mais prazo para depor à PF sobre Lula
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu à Polícia Federal mais prazo para depoimento no inquérito em que foi indiciado por calúnia contra o presidente Lula. Advogados atribuem o pedido à agenda de pré-campanha e afirmam que a prorrogação não prejudica a investigação no STF.

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu à Polícia Federal mais prazo para que ele preste depoimento no inquérito em que foi indiciado por calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A solicitação foi encaminhada nesta quinta-feira. Advogados atribuem o pedido à agenda de pré-campanha e dizem que a prorrogação não causa prejuízo à investigação no STF.
Pedido de prorrogação
Segundo ofício assinado pelo delegado Antonio Carlos Knoll, a PF tentou agendar a oitiva dentro do prazo de dez dias fixado por Moraes, em decisão de 6 de julho, mas não conseguiu marcar o depoimento porque a defesa não indicou uma data e um horário. A corporação informou ainda que ofereceu a possibilidade de a oitiva ser realizada por videoconferência, a fim de facilitar o agendamento. Diante do impasse, os advogados de Flávio pediram que novas datas sejam disponibilizadas, “com antecedência razoável”, para a realização do depoimento.
Defesa nega atraso
Na petição, a defesa nega qualquer tentativa de atrasar a investigação e atribui o pedido de prorrogação ao curto prazo concedido e à agenda de pré-campanha do senador. Os advogados afirmam ainda que o adiamento do depoimento não causaria prejuízo ao andamento do inquérito no STF. A justificativa é de que a nova data permitirá que Flávio se organize sem comprometer os compromissos políticos.
Origem do inquérito
O inquérito investiga uma publicação feita pelo senador na rede social X em 3 de janeiro de 2026, após a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. Na publicação, Flávio escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”. Para a PF, ao afirmar que Lula “será delatado” e, na sequência, listar uma série de crimes, o senador atribuiu falsamente ao presidente a prática de condutas criminosas. O relatório também aponta não haver dúvidas sobre a autoria da publicação.
Posição da PGR
Apesar da conclusão da PF, a PGR avaliou ser necessário ouvir Flávio antes de decidir os próximos passos. Segundo Gonet, a diligência é relevante sobretudo pela possibilidade de retratação, prevista no Código Penal para os crimes de calúnia e difamação. Pela lei, o investigado pode ficar isento de pena caso se retrate antes da sentença. Quando a ofensa é veiculada por algum meio de comunicação, a retratação pode ser feita pelo mesmo canal usado na publicação original.
O caso segue em tramitação no STF, e a decisão sobre o novo prazo caberá ao ministro Alexandre de Moraes. A expectativa é de que o depoimento ocorra nas próximas semanas, após a definição de uma data compatível com a agenda do senador.























