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Foto: reprodução

A desistência de Ratinho Júnior de ensaiar uma candidatura à Presidência não é apenas um recuo. É, sobretudo, um reconhecimento de limite político. Ratinho percebeu o que seus movimentos já indicavam há meses. Sua candidatura nacional não decolou e dificilmente decolaria. Faltou musculatura fora do Paraná e sobrou ruído dentro de casa. Ao tentar equilibrar diferentes alas da direita, acabou desagradando justamente quem mais precisava. A recusa em aceitar Flávio Bolsonaro como vice não foi um detalhe de composição. Foi um gesto que custou apoio do PL e afastou o Partido Novo. Em política, isolamento raramente é estratégia vencedora.

Ao sair da disputa, Ratinho faz o movimento mais pragmático possível. Volta para casa. E volta com um problema. Sua sucessão no Paraná está longe de ser uma equação resolvida. Se o escolhido for Guto Silva, o cenário é de alerta. Mal posicionado nas pesquisas, Guto depende quase integralmente da transferência de capital político do governador, algo que historicamente nunca é automático. Ratinho terá que fazer o que ainda não conseguiu. Transformar popularidade em voto transferido. E isso exige tempo. Tempo que ele não teria em uma campanha presidencial.

No plano nacional, a leitura também é dura, mas realista. Ratinho não encontrou espaço entre nomes mais consolidados e tampouco conseguiu se diferenciar dentro do campo da centro-direita. A sombra do bolsonarismo continua determinante e a possibilidade de protagonismo de um herdeiro político de Jair Bolsonaro torna o ambiente ainda mais restritivo. O que aconteceu com Tarcísio de Freitas serve de alerta. Há pouco espaço para projetos paralelos nesse campo.

Enquanto isso, outros atores avançam. Romeu Zema se reposiciona e, dentro do PSD, nomes como Eduardo Leite e Ronaldo Caiado ganham terreno. Ratinho, que poderia ser protagonista, virou coadjuvante antes mesmo da largada. Mas é no Paraná que o efeito político pode ser mais imediato e mais incômodo. Ao evitar o confronto direto com o bolsonarismo, Ratinho abre espaço para que Sergio Moro se consolide ainda mais como o nome competitivo do estado.

Neste momento, Moro joga com uma vantagem que o governador ainda não conseguiu neutralizar. Presença eleitoral própria.
No fim, a decisão de Ratinho não é sobre abrir mão de um projeto nacional. É sobre evitar uma derrota previsível e tentar, em tempo hábil, não perder também o controle da sucessão no seu próprio estado.

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