Freou no radar e acelerou? Nova tecnologia pode chegar a Ponta Grossa e te multar por isso
Licitação em andamento prevê equipamentos capazes de calcular a velocidade média dos veículos em determinados trechos; sistema ainda não pode gerar multas no Brasil

Reduzir a velocidade ao se aproximar de um radar e acelerar novamente logo após passar pelo equipamento pode deixar de ser suficiente para escapar da fiscalização. Uma nova tecnologia prevista na licitação dos radares de Ponta Grossa permite calcular a velocidade média mantida pelo veículo durante todo um trecho.
O sistema consta no Pregão Eletrônico nº 90123/2025, aberto pela Prefeitura para contratar os serviços de fiscalização automática e monitoramento do trânsito. O edital prevê quatro conjuntos formados por dois equipamentos fixos, que poderão ser configurados para medir a velocidade média.
A contratação tinha valor máximo estimado de R$ 15,74 milhões. A empresa Splice, classificada inicialmente no processo, apresentou uma proposta de aproximadamente R$ 9,96 milhões e foi convocada para participar de uma prova de conceito. A realização dos testes, porém, não representa automaticamente a homologação da empresa ou a instalação definitiva dos equipamentos.
Como funciona a velocidade média
Diferentemente do radar convencional, que registra a velocidade do veículo em um ponto específico, o novo sistema identifica a placa em dois locais diferentes. A tecnologia calcula o tempo gasto pelo motorista para percorrer a distância entre os equipamentos. Com essas informações, o sistema consegue verificar qual foi a velocidade média mantida durante o percurso.
Na prática, o motorista que reduz apenas ao passar pelo radar, mas acelera excessivamente durante o restante do trecho, pode aparecer nas estatísticas do sistema.
Um levantamento citado pelo Portal do Trânsito demonstra a diferença entre os dois modelos. Em um trecho de 11 quilômetros próximo a Uberaba, em Minas Gerais, cerca de 1,5 mil veículos foram registrados acima do limite nos radares convencionais durante o primeiro semestre de 2026. Quando considerado todo o percurso entre os equipamentos, o número de ocorrências foi 66 vezes maior.
Tecnologia ainda não poderá multar
Apesar da capacidade prevista na licitação de Ponta Grossa, os motoristas ainda não poderão ser multados apenas com base na velocidade média. A legislação brasileira atualmente considera a velocidade medida no momento em que o veículo passa pelo equipamento. O Código de Trânsito Brasileiro ainda não possui previsão específica para autuações calculadas entre dois pontos.
O próprio edital de Ponta Grossa determina que, enquanto não houver regulamentação, a funcionalidade deverá ser utilizada somente para coleta de informações, produção de estatísticas e realização de estudos de segurança viária.
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná também analisou essa exigência e entendeu que a presença da tecnologia no edital não significa aplicação imediata de multas. Qualquer autuação pela velocidade média dependerá de mudança na legislação e de regras específicas para o funcionamento do sistema.
Licitação prevê outros equipamentos
Além do controle por trecho, o contrato prevê radares tradicionais, lombadas eletrônicas, câmeras com leitura automática de placas e equipamentos capazes de identificar infrações nos cruzamentos.
Dependendo da configuração e da regulamentação, o sistema poderá registrar excesso de velocidade, avanço do sinal vermelho, parada sobre a faixa de pedestres, conversão proibida e circulação indevida em faixas ou horários restritos.
A licitação ainda precisa cumprir todas as etapas administrativas antes da contratação definitiva. Portanto, a instalação e os locais de funcionamento da medição por velocidade média ainda dependem da conclusão do processo.
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