As frutas me intrigam. São caprichos da natureza. Algumas aclamadas por uns e estas mesmas abominadas por outros. Também tenho minhas preferências.
Esperei em frente ao prédio para receber o livro. Do outro lado da rua o vi chegar e atravessar. Nas mãos o livro e algo embalado num guardanapo. Entregou dizendo ser uma camélia. Nem soube o que pensar. Livro, conversas, mais conversas, volta ao livro e o céu carregado de ameaçadoras nuvens. Fuga antes que o céu em águas desmoronasse e o embrulho foi largado na mesa aguardando atenção às prioridades.
Depois da casca do papel grosseiro, revelou-se um pêssego. Camélia? Sim, a camélia era um pêssego. Enquanto eu era alguém que não entendeu a associação entre anos, entretanto apreciei o gracejo em todas as mordidas.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
Leia também: Bochechas, por Renata Régis Florisbelo


















