A exoneração do presidente do INSS, Gilberto Waller, marca mais um capítulo de instabilidade na gestão da Previdência Social no Brasil. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (13) pelo governo federal, em meio a um cenário de pressão interna e crescimento acelerado da fila de benefícios.
Waller permaneceu no cargo por cerca de 11 meses e enfrentou como principal desafio o aumento no volume de solicitações. No início de 2026, o INSS registrou mais de 3,1 milhões de pedidos em análise — o maior número da história recente do órgão.
Apesar do discurso oficial de reconhecimento ao trabalho realizado, a exoneração ocorre em um contexto de desgaste nos bastidores. Interlocutores apontam divergências entre Waller e o Ministério da Previdência, comandado por Wolney Queiroz.
Um dos episódios que evidenciaram esse distanciamento foi a ausência de Waller em um evento com servidores, realizado em novembro de 2025. Na ocasião, ele foi representado pela vice-presidente do instituto, o que gerou questionamentos internos sobre sua relação com a pasta.
Outro fator que contribuiu para o enfraquecimento de sua gestão foi a realização de mudanças administrativas importantes durante seu período de férias, sem sua participação direta. Entre elas, a nomeação de novos nomes para cargos estratégicos, como a Diretoria de Gestão de Pessoas e áreas de relacionamento com o cidadão.
Além das questões políticas, o avanço da fila de benefícios também pesou na decisão. O tema é considerado prioritário pelo governo, diante do impacto social causado pela demora na concessão de aposentadorias, pensões e auxílios.
Para o lugar de Waller, foi nomeada Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do INSS. A escolha reforça a estratégia do governo de apostar em quadros técnicos para tentar reverter o cenário atual e melhorar a eficiência do órgão.
Ana Cristina tem experiência consolidada dentro da Previdência e já atuou na presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social, onde ampliou a capacidade de análise de processos. Agora, assume o desafio de reduzir a fila e restabelecer a confiança na gestão do instituto.
A exoneração do presidente do INSS, portanto, não apenas marca uma troca de comando, mas evidencia a pressão por resultados em um dos setores mais sensíveis da administração pública.
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