A greve nacional contra reforma trabalhista na Argentina foi anunciada oficialmente pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical do país, como reação ao projeto defendido pelo presidente Javier Milei. A paralisação terá duração de 24 horas e está prevista para começar no momento em que a Câmara dos Deputados iniciar o debate da proposta, previsto para ocorrer até o fim de fevereiro.
Segundo a CGT, não haverá mobilizações de rua nem atos públicos durante a paralisação. A estratégia, de acordo com dirigentes sindicais, é demonstrar insatisfação sem promover confrontos, concentrando o impacto no funcionamento dos setores produtivos.
Na semana passada, o Senado concedeu sinal verde preliminar ao texto após o governo aceitar ajustes na redação original. A reforma é considerada peça-chave da agenda econômica de Milei, que busca ampliar investimentos privados e estimular a formalização de empregos.
Entretanto, a oposição peronista afirma que a medida representa risco aos direitos trabalhistas históricos do país. Rodolfo Aguiar, presidente da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), criticou pontos que, segundo ele, enfraquecem a atuação sindical. Um dos trechos exige autorização prévia para a realização de assembleias em situações de conflito trabalhista.
Outro ponto polêmico estabelece que, em atividades classificadas como essenciais, entre 50% e 75% dos serviços devem continuar operando durante greves. Para os sindicatos, isso compromete a força das paralisações como instrumento de pressão. “A greve perde eficácia quando o impacto é limitado”, declarou Aguiar.
O projeto também prevê a possibilidade de compensação de horas extras por meio de folgas, substituindo o pagamento adicional. Até agora, o governo não apresentou estimativas oficiais sobre o impacto fiscal ou a economia gerada pelas mudanças.
Historicamente, os sindicatos argentinos possuem grande capacidade de mobilização, especialmente nos setores de transporte, portos e logística — áreas estratégicas para a economia nacional. Diante desse cenário, dirigentes da CGT não descartam novas medidas caso o Congresso avance com o texto sem alterações consideradas essenciais pelas categorias.
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