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Guerra no Sudão é sustentada por aliados, aponta ONU

A ONU apontou que a guerra no Sudão é estimulada por aliados internacionais, que fornecem armas e apoio logístico. O conflito já causou a pior crise humanitária do mundo, com milhões de deslocados e fome aguda.

Guerra no Sudão é sustentada por aliados, aponta ONU
Crédito: Giles Clarke/Avaaz via Getty Images
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A guerra no Sudão, que empurrou o país para a crise humanitária mais grave do mundo na atualidade, é estimulada e apoiada por aliados internacionais, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A conclusão consta em um relatório divulgado nessa quinta-feira (3/9).

Segundo a Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos da ONU para o Sudão, países como Emirados Árabes Unidos, Chade, Colômbia, Líbia, Somália, Sudão do Sul, Etiópia e o estado não reconhecido de Puntlândia estão envolvidos no conflito.

Redes de apoio externo alimentam o conflito

Investigadores encontraram indícios de que entidades internacionais atuam a partir de tais países, para fornecer armas, tecnologia militar e apoio logístico para a guerra no Sudão. O relatório “Alimentar o conflito no Sudão: armas, combatentes e redes de apoio externo” mostrou que indivíduos e entidades nos Emirados Árabes Unidos estariam fornecendo armamentos para as Forças de Apoio Rápido (RSF).

Para isso, o sul da Líbia, Somália, Chade e Puntlândia atuam como rotas por onde o apoio militar é transportado. A fonte não detalhou o volume ou a frequência desses envios, mas destacou a participação de múltiplos atores regionais.

Ataques atingem civis e infraestrutura

Além de alvos militares, as operações das Forças Armadas Sudaneses (SAF) e das Forças de Apoio Rápido (RSF) atingiram estruturas civis como escolas, hospitais, infraestruturas energéticas, instalações de trabalho, funerais e casamentos. A violência indiscriminada tem agravado o sofrimento da população.

O conflito opõe o general Mohamed Hamdan Dagalo, chefe das Forças de Apoio Rápido (RSF), e o general Abdel Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas Sudanesas (FAS). Os dois líderes já apareceram juntos em registros anteriores, mas hoje comandam facções rivais.

Origem da guerra civil no Sudão

O Sudão enfrenta uma guerra civil há três anos, envolvendo o exército regular do país, as Forças Armadas Sudanesas (SAF), e as Forças de Apoio Rápido (RSF). Há alguns anos, os dois lados envolvidos no conflito lutavam juntos, e realizaram um golpe de Estado em 2021.

Depois da tomada de poder, o país africano passou a ser comandado por uma coalizão liderada pelo chefe das SAF, general Abdel Fattah al-Burhan, e o líder das RSF, general Mohamed Hamdan Dagalo. Em 2023, contudo, os dois lados entraram em uma disputa direta pelo poder, e a aliança foi encerrada.

Crise humanitária sem precedentes

Desde então, as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF) estão em conflito, e dividem o controle do Sudão. Ao longo dos últimos anos, o país africano enfrenta uma forte crise humanitária provocada pela violência — e classificada pela ONU como a mais grave do mundo na atualidade.

No Sudão, cerca de 20 milhões de pessoas enfrentam fome aguda, enquanto outras 135 mil vivem sob risco iminente de morte por insegurança alimentar. O país enfrenta uma grave crise de deslocados, com aproximadamente 12,8 milhões de sudaneses fora de suas casas devido a violência.

O relatório da ONU reforça a urgência de responsabilizar os atores externos que alimentam o conflito, enquanto a população civil segue exposta a ataques e à escassez de recursos básicos. A comunidade internacional acompanha os desdobramentos, mas ainda não há previsão de cessar-fogo.

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