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Política

Haddad nega contato com Vorcaro e critica Galípolo

Fernando Haddad afirmou nunca ter tido contato com Daniel Vorcaro e cobrou transparência nas investigações. O candidato também expressou frustração com a política monetária de Gabriel Galípolo.

Haddad nega contato com Vorcaro e critica Galípolo
Crédito: g1.globo.com
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O ex-ministro e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, declarou nesta segunda-feira (14), em entrevista ao SP1, que nunca teve contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central do escândalo envolvendo o Banco Master. Haddad também defendeu a abertura dos sigilos dos inquéritos sobre o caso antes das eleições e afirmou que o Judiciário “não pode sonegar informações do cidadão”.

A fala ocorre em meio à campanha eleitoral, na qual o petista tenta se desvincular de qualquer ligação com o escândalo financeiro. Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, é investigado por supostas irregularidades que abalaram o mercado e ganharam repercussão nacional.

Haddad nega vínculo e aponta direita

Durante a entrevista, o candidato foi enfático ao negar qualquer relação pessoal ou política com Vorcaro. “Ele [Vorcaro] também não financiou a minha campanha. Ele financiou a campanha do Tarcísio, financiou a campanha do Jair Bolsonaro. Ele tem negócios com três ex-ministros do Bolsonaro: Casa Civil, Ministério das Comunicações e Relações Institucionais”, afirmou Haddad.

O petista aproveitou para associar o escândalo a políticos de direita, citando diretamente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal concorrente na disputa eleitoral. Em 2022, o ex-banqueiro doou R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio, conforme os dados apresentados pelo candidato.

Haddad reforçou que não recebeu recursos de Vorcaro e que as doações do empresário beneficiaram adversários. A estratégia busca deslocar o debate para o campo oposto, em um momento em que a transparência sobre financiamento de campanhas ganha destaque.

Transparência antes da eleição

O ex-ministro defendeu que as investigações sobre o caso sejam tornadas públicas antes das eleições e que a Justiça deixe o “povo tomar o rumo do país”. “A Justiça não pode sonegar informação do cidadão. Abre tudo. Quem tiver que responder, responda. Quem tiver que pagar por alguma coisa, pague, independentemente de partido político”, declarou.

Para Haddad, a abertura dos sigilos é essencial para que o eleitor tenha clareza sobre os fatos antes de ir às urnas. A cobrança por transparência surge em um contexto de desconfiança sobre a atuação de instituições financeiras e sua relação com agentes públicos.

Críticas à política monetária

Questionado sobre a evolução da dívida pública e a condução da política econômica, Haddad afirmou que a redução da dívida passa necessariamente por uma queda dos juros. “Os juros não se justificam. O Banco Central é autônomo, mas não se justificam juros de 14% para uma inflação de 4%”, disse.

O petista também comentou a atuação dos dirigentes do Banco Central, incluindo Gabriel Galípolo, atual presidente da instituição. Apesar de a maioria dos integrantes do Comitê de Política Monetária ter sido indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Haddad reconheceu que os diretores têm mandato e independência para atuar. “Depois que você indica, a pessoa tem mandato. Ela faz da cabeça dela”, afirmou.

Questionado se a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central é motivo de arrependimento, Haddad admitiu descontentamento com a condução da política monetária. A declaração sinaliza um distanciamento entre o candidato e o atual comando do BC, mesmo tendo sido indicado pelo governo do qual fez parte.

Impacto na campanha

As declarações de Haddad ocorrem em um momento decisivo da disputa pelo governo de São Paulo. Ao negar vínculo com Vorcaro e cobrar transparência, o petista busca blindar sua candidatura de eventuais desgastes. Ao mesmo tempo, tenta transferir o desgaste para o campo adversário, citando doações a Bolsonaro e Tarcísio.

A crítica à política de juros também ecoa entre eleitores insatisfeitos com o custo do crédito e o desempenho da economia. A frustração com Galípolo, porém, pode gerar ruídos dentro da base governista, uma vez que o atual presidente do BC foi indicado por Lula com aval de Haddad.

O caso Vorcaro segue sob investigação, e a abertura dos sigilos pode trazer novos desdobramentos. A fonte não detalhou prazos ou próximos passos das apurações. Enquanto isso, a campanha eleitoral intensifica o debate sobre transparência e responsabilidade na gestão pública.

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