Homem que recebeu 1º transplante duplo de braços e ombros do mundo surpreende com recuperação
Transplante duplo de braços e ombros mudou a vida de Felix Gretarsson, islandês que perdeu os membros após sofrer um choque de 11 mil volts.

O transplante duplo de braços e ombros realizado no islandês Felix Gretarsson entrou para a história da medicina mundial. O procedimento pioneiro aconteceu em Lyon, na França, em janeiro de 2021, mais de duas décadas depois de Felix perder os dois braços em um grave acidente elétrico durante o trabalho.
A história começou em janeiro de 1998. Felix trabalhava como eletricista na Islândia quando sofreu uma descarga elétrica de aproximadamente 11 mil volts. O acidente provocou ferimentos graves e levou à amputação dos dois braços. Ele ainda precisou enfrentar um longo período de tratamento e recuperação.
Mais de 20 anos depois, sua trajetória ganhou um novo capítulo.
Cirurgia entrou para a história da medicina
Em janeiro de 2021, Felix foi submetido ao primeiro transplante bilateral de braços envolvendo também os ombros já realizado no mundo.
A cirurgia aconteceu no Hospital Édouard Herriot, em Lyon, na França, e mobilizou dezenas de profissionais. O procedimento foi particularmente complexo porque, além dos braços, os cirurgiões precisavam trabalhar com estruturas da região dos ombros.
Nos primeiros dias após a operação, a própria equipe médica evitava fazer previsões sobre quanto movimento Felix conseguiria recuperar. O objetivo era acompanhar gradualmente a resposta dos nervos, músculos e demais estruturas envolvidas no transplante.
A recuperação exigiria anos de acompanhamento e reabilitação.
Movimentos começaram a voltar
Com o passar dos meses, porém, Felix apresentou avanços.
Relatos divulgados posteriormente mostraram que ele recuperou parcialmente a sensibilidade nos membros transplantados e conseguiu voltar a fazer atividades simples que haviam se tornado impossíveis depois do acidente.
Entre elas estavam segurar objetos leves, apertar mãos, passear com o cachorro, tomar banho, vestir-se com maior independência e, principalmente, abraçar pessoas da família.
A evolução ganhou repercussão internacional justamente porque se tratava de um procedimento sem precedente envolvendo os dois braços e os ombros.
A recuperação não significou o fim do tratamento. Um transplante dessa dimensão exige fisioterapia, reabilitação constante e acompanhamento médico prolongado.
De acidente devastador a caso histórico
Felix já relatou publicamente que os anos posteriores ao acidente foram extremamente difíceis. Com o tempo, porém, decidiu reconstruir a própria vida e começou a buscar alternativas que pudessem proporcionar maior autonomia.
Essa busca acabou levando-o à equipe francesa que estudaria durante anos a possibilidade do transplante duplo de braços e ombros.
O islandês entrou na lista para receber um doador compatível e precisou aguardar até janeiro de 2021 para que surgisse a oportunidade de realizar a cirurgia.
Desde então, Felix passou a compartilhar parte da evolução dos membros transplantados e de sua reabilitação nas redes sociais. Registros posteriores mostram novos movimentos e avanços obtidos ao longo dos anos.
Mais do que uma história de superação pessoal, o caso de Felix Gretarsson tornou-se um marco científico por mostrar possibilidades até então inéditas na área dos transplantes reconstrutivos.
Mais de duas décadas separaram o acidente que mudou sua vida da cirurgia que entrou para a história da medicina mundial.
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