Irã e EUA sinalizam abertura para negociar acordo na ONU
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou estar aberto a uma reunião com o Irã na ONU, enquanto uma fonte iraniana disse que a delegação em Nova York tem autoridade para retomar relações diplomáticas. Os dois países trocaram ameaças e propostas nos últimos dias.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou em entrevista à emissora NBC estar “aberto a uma reunião com o Irã na ONU”, embora tenha ressaltado que não havia nada agendado. A declaração ocorre em meio à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, onde delegações dos dois países estão presentes. A fala sinaliza uma possível retomada de diálogo após meses de hostilidades.
Do lado iraniano, um alto funcionário disse à agência Reuters, nesta terça-feira (22), que a delegação que viajou para a Assembleia Geral tem plena autoridade para retomar as relações diplomáticas com os Estados Unidos. A fonte, que falou de forma anônima, não detalhou como isso poderia ocorrer.
Abertura para diálogo em Nova York
Segundo a fonte iraniana, o país pode reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias se os Estados Unidos aliviarem a pressão militar e suspenderem o bloqueio aos portos iranianos. A declaração foi dada após o Irã anunciar uma “área restrita” no estreito, em resposta a ataques a petroleiros.
Esta semana, o Irã entregou aos EUA, por meio de mediadores, uma nova proposta de acordo para dar fim às hostilidades entre os dois países. A autoridade iraniana também disse que não havia previsão de encontro entre o presidente do país, Masoud Pezeshkian, que deixou Teerã rumo a Nova York na manhã desta terça, com o presidente americano, Donald Trump.
Tensão e ameaças de escalada
No domingo (20), o Irã disse ter recebido informações de que os Estados Unidos estariam se preparando para retomar os bombardeios contra o Irã e ameaçou retaliar “sem qualquer limitação” contra alvos norte-americanos no Oriente Médio caso isso aconteça. O alerta veio do Comando Militar Central do regime iraniano após a imprensa dos EUA ter reportado nos últimos dias que o governo Trump estaria se preparando para uma nova escalada contra o Irã na guerra que os dois países travam há mais de seis meses.
Teerã disse ainda que essa possível nova escalada seria feita “com o sinal verde de alguns países” do Oriente Médio, e disse ainda que essas nações envolvidas nos ataques dos EUA serão consideradas partes do conflito e “não devem esperar contenção por parte das Forças Armadas iranianas”.
Propostas e decisões pendentes
Ao mesmo tempo em que há expectativas para uma retomada dos combates em ampla escala, o Irã enviou no sábado aos Estados Unidos uma nova leva de exigências para o fim da guerra no Oriente Médio, em busca de retomar as negociações. O conteúdo dessas exigências não foi detalhado pela fonte.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo que está “decidindo se explode o Irã inteiro ou não” e prometeu que “grandes coisas acontecerão em um futuro não tão distante”. A declaração contrasta com a abertura ao diálogo mencionada por Rubio.
O que esperar da Assembleia
Com as delegações em Nova York, há espaço para encontros informais ou mediações, mas nenhuma reunião oficial foi confirmada. A fonte iraniana afirmou que não há previsão de encontro entre os presidentes, mas a autoridade para negociar está com a delegação.
O cenário permanece incerto, com ameaças militares de um lado e propostas de acordo do outro. A comunidade internacional acompanha os desdobramentos da Assembleia Geral, que pode ser palco para uma virada diplomática ou para o agravamento do conflito.























