O governo iraniano convocou na segunda-feira todos os embaixadores da União Europeia no país. O objetivo foi protestar formalmente contra a decisão do bloco de classificar a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista.
A medida representa uma resposta diplomática direta a uma ação que Teerão considera ilegal e errada. A convocatória ocorre em meio a crescentes tensões internacionais sobre a repressão aos protestos no país.
Contexto da decisão europeia
Na semana passada, a União Europeia tomou a decisão de classificar o grupo paramilitar iraniano como organização terrorista. A justificativa apresentada pelo bloco europeu foi a violenta repressão dos protestos que ocorreram em nível nacional.
Esses protestos resultaram em milhares de mortes e na detenção de dezenas de milhares de pessoas. Outros países, incluindo Estados Unidos e Canadá, já haviam adotado a mesma designação anteriormente.
Essa medida amplia o isolamento diplomático do Irão nesse aspecto específico.
Resposta diplomática iraniana
Convocatória dos embaixadores
Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, a convocatória dos embaixadores começou no domingo e prolongou-se até segunda-feira.
Preparação de ações recíprocas
Baghaei afirmou que “foi analisada uma série de ações, estão a ser preparadas várias opções que foram enviadas aos órgãos de decisão competentes”. O porta-voz acrescentou que “pensamos que, nos próximos dias, será tomada uma decisão sobre uma ação recíproca da República Islâmica do Irão em relação à medida ilegal, irracional e muito errada da UE”.
Medidas simbólicas já adotadas
Teerão já havia respondido no domingo à decisão da UE com uma contra-medida simbólica. O governo iraniano designou todos os militares da União Europeia como organizações terroristas.
Essa ação representa uma retaliação direta à classificação europeia. Ela estabelece um paralelo simbólico nas relações diplomáticas entre as partes.
A medida ilustra a escalada retórica entre o Irão e o bloco europeu sobre o tema.
Cenário interno de repressão
Brutalidade das forças de segurança
As forças de segurança iranianas, em particular a Guarda Revolucionária, têm usado de extrema brutalidade contra os manifestantes nas últimas semanas. As organizações de defesa dos direitos humanos têm vindo a reunir provas que demonstram violações graves.
Divergência nos números de mortos
As evidências indicam que pelo menos 6000 iranianos foram mortos durante os protestos. Pessoas com experiência no Irão e vários ministros dos Negócios Estrangeiros da UE falaram recentemente de mais de 30.000 mortos.
Esses números indicam uma divergência significativa nos relatos sobre a dimensão da repressão.
Ameaças e movimentos militares
Ameaça de intervenção americana
Em resposta à situação, Washington ameaçou intervir com uma ação militar. A justificativa seria o assassinato de manifestantes pacíficos e as execuções em massa.
Deslocamento de forças navais
Na semana passada, o Pentágono deslocou o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários contratorpedeiros de mísseis guiados para a região. Esses movimentos demonstram capacidade de força próxima ao território iraniano.
Esses movimentos militares aumentaram as preocupações sobre um possível conflito armado.
Negociações e advertências
Negociações em curso
Teerão afastou os receios de uma intervenção durante o fim de semana. O governo afirmou que está atualmente envolvido em negociações com Washington.
Advertência do Ayatollah Khamenei
O Ayatollah Ali Khamenei advertiu os Estados Unidos de que qualquer conflito se estenderia a toda a região. Khamenei afirmou: “A América deve saber que, se começar uma guerra, desta vez será uma guerra regional”.
O líder iraniano acrescentou que “estas ameaças não são novas”, referindo-se a declarações anteriores de autoridades americanas.
Posição dos Estados Unidos
Rejeição das ameaças
O presidente dos Estados Unidos rejeitou entretanto as ameaças de Khamenei, afirmando que um acordo ainda está em cima da mesa.
Declaração de Donald Trump
Donald Trump disse aos jornalistas no domingo: “Temos os maiores e mais poderosos navios do mundo ali, muito perto, dentro de alguns dias”. O presidente americano completou: “Esperemos que cheguemos a um acordo. Se não chegarmos a um acordo, descobriremos se ele tinha ou não razão”, referindo-se às advertências do líder iraniano.
Conclusão
A situação permanece em desenvolvimento, com a possibilidade de novas medidas recíprocas por parte do Irão nos próximos dias. Essa possibilidade foi indicada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
As negociações entre Washington e Teerão continuam, enquanto a presença militar americana na região mantém a tensão em níveis elevados.


















