Lula afirma a religiosos que não faz política em igrejas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a líderes religiosos que não faz política dentro de igrejas, pois a religião é ‘uma coisa sagrada’. A declaração ocorreu em encontro fechado com evangélicos, segmento em que o petista enfrenta resistência, segundo levantamento PoderData/Aya.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou a um grupo de religiosos que não utiliza espaços de culto para fazer campanha política. A afirmação foi feita durante um encontro fechado com lideranças evangélicas, sem a presença de jornalistas, e reforça a estratégia do governo de se aproximar do segmento, no qual o PT historicamente enfrenta resistência.
“Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, afirmou Lula. Segundo o presidente, a religião é “uma coisa sagrada” e cada pessoa deve ter seu momento de paz para conversar com Deus.
Encontro sem imprensa e fala de 25 minutos
A declaração foi feita durante uma fala de cerca de 25 minutos, em que Lula tratou principalmente de desigualdade, guerras e do papel das religiões. O evento não teve participação de jornalistas nem transmissão ao vivo. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) distribuiu posteriormente aos repórteres as falas do presidente.
O encontro faz parte da estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico, segmento no qual o PT enfrenta resistência. Levantamento PoderData/Aya realizado de 9 a 12 de agosto de 2026 mostrou que 62% dos evangélicos desaprovam Lula.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.poder360.com.br
AGU defende púlpito como espaço sagrado
O advogado-geral da União, Jorge Messias, também participou do encontro. Ao falar sobre a relação entre fé e política, afirmou que o púlpito é um espaço sagrado e que não deve ser usado para disputa política.
“A mensagem de Cristo não é a tomada de um reino político. A mensagem de Cristo não é a tomada de um governo. A mensagem de Cristo é a mensagem do amor, da compaixão, de suportar o irmão, de apoiar o irmão”, disse Messias.
O ministro afirmou ainda que os cristãos defendem valores como liberdade, não discriminação e solidariedade. Segundo ele, a fé não deve ser tratada como um embate político ou ideológico.
Frente evangélica apoia reeleição de Lula
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio à reeleição de Lula em agosto. Em carta, o movimento afirmou que a permanência do presidente no Planalto está alinhada a valores cristãos e fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Um pastor ligado à Frente disse a Lula que os evangélicos são um grupo diverso e que não há uma liderança única capaz de falar em nome de todo o segmento. Afirmou ainda que o presidente tem “amigos entre os evangélicos” e que pode contar com o grupo.
Quem participou do encontro
Além de Lula e Jorge Messias, estiveram presentes Gilberto Carvalho, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, e Nilza Valeria Oliveira, coordenadora executiva da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. Também participaram pastores e pastoras de diferentes denominações e países.
Entre os nomes listados estão Bronson Woods, pastor assistente de Missões Globais e Ação Social da Ebenezer Baptist Church; Timothy Welbeck, diretor do Centro Antirracismo da Temple University e pastor de Ensino da Epiphany Church of Wilmington; Chelsea Waite, pastora executiva da Green Castle Baptist Church; Izett Sama Hernandez, pastora da Igreja Presbiteriana Reformada e da Rede Fé por Cuba; Marco Davi de Oliveira, pastor da Nossa Igreja Brasileira; Danilo Gomes, pastor da Igreja Batista Esperança, em Salvador; Ariovaldo Ramos, pastor da Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo; e Cristina Martins Paes Leme, pastora da Igreja Metodista de Taguatinga Norte.
Contexto político e resistência evangélica
A fala de Lula ocorre em um momento de baixa popularidade entre os evangélicos. O levantamento PoderData/Aya indica que a desaprovação ao presidente nesse grupo é de 62%, um desafio para a campanha de reeleição. A aproximação com lideranças religiosas busca reduzir essa resistência e ampliar o diálogo com um eleitorado que tem forte influência em pautas morais e sociais.
O encontro também sinaliza uma tentativa de desfazer a imagem de que o PT seria contrário aos valores cristãos. Ao afirmar que não faz política em igrejas, Lula procura se distanciar de práticas que misturam púlpito e palanque, algo que críticos apontam em adversários políticos.
O que dizem os religiosos
Os pastores presentes reforçaram a diversidade do segmento evangélico e a ausência de uma liderança única. Um deles afirmou que o presidente tem “amigos entre os evangélicos” e que pode contar com o grupo. A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito já havia declarado apoio à reeleição de Lula em agosto, destacando valores como justiça social e defesa da democracia.
Para o governo, o encontro é uma oportunidade de mostrar que há setores evangélicos alinhados ao projeto petista, mesmo diante da resistência majoritária apontada pelas pesquisas. A estratégia inclui a participação de figuras como Jorge Messias, que tem origem evangélica e atua como ponte com o segmento.
A fonte não detalhou se novos encontros do tipo estão previstos, mas a presença de lideranças internacionais e nacionais sugere um esforço contínuo de diálogo. O Portal Boca no Trombone seguirá acompanhando os desdobramentos dessa aproximação e seus impactos no cenário político nacional.
📄 Documentos Relacionados
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