QUARTA-FEIRA · 16 SET 2026Ponta Grossa 21°C 🌤️
Publicidade
Paraná

Mais de 70 mulheres eram mantidas contra a vontade em clínica no Paraná, diz MP

Investigação aponta castigos, trabalho forçado, suspensão de visitas e uso de sedativos; proprietário do estabelecimento foi preso durante operação

mp investiga rachadinha
Ilustração
Publicidade

Mais de 70 mulheres estariam sendo mantidas contra a própria vontade em uma clínica terapêutica localizada em Terra Roxa, no Oeste do Paraná. Segundo investigação do Ministério Público do Paraná (MPPR), as internas teriam sido submetidas a castigos, trabalho forçado, suspensão de visitas familiares e uso forçado de medicamentos sedativos.

O caso é investigado na Operação Aurora. O gestor e proprietário do estabelecimento foi preso temporariamente na terça-feira (15). O pai dele também foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições, mas acabou liberado após pagamento de fiança. As identidades não foram divulgadas.

Mulheres teriam sido levadas sem autorização

O centro terapêutico atendia exclusivamente mulheres em tratamento por dependência química. De acordo com o Ministério Público, entre as pacientes também havia pessoas com deficiência.

A promotora responsável pelo caso afirmou que existem indícios de que algumas mulheres tenham sido levadas até a clínica sem autorização legal, solicitação médica prévia ou determinação judicial. A investigação também reúne relatos sobre restrição das visitas de familiares, aplicação de castigos e imposição de trabalhos às internas.

Outro ponto investigado é o uso forçado de medicamentos sedativos. Segundo o MPPR, os remédios teriam sido apelidados de “danone” e utilizados para fazer com que algumas mulheres perdessem a consciência. Há ainda relatos de possível omissão de socorro médico e ameaças para que as pacientes não relatassem irregularidades durante fiscalizações.

Clínica continua funcionando

Apesar da operação, a clínica não foi interditada. Segundo o Ministério Público, aproximadamente 72 mulheres permaneciam internadas porque não seria possível transferir todas de uma vez para outros estabelecimentos. A previsão é de que as transferências sejam realizadas gradualmente.

Durante a operação, a Justiça também autorizou buscas em cinco endereços, incluindo a sede da clínica, residências dos investigados, uma propriedade rural e veículos. Equipamentos eletrônicos foram apreendidos e terão os dados analisados pelo Ministério Público.

O que diz a clínica

Em nota, a instituição negou as acusações de cárcere privado e maus-tratos. A clínica afirmou que colabora com as investigações e declarou que trabalha dentro dos parâmetros legais, com uma equipe multidisciplinar e atendimento baseado em humanização e respeito.

As investigações continuam para identificar a eventual responsabilidade dos envolvidos.

Tags
Quer ver a BnT mais vezes no Google?
Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
Ver todas as matérias →
Publicidade

Comentários

Nenhum comentário ainda

Deixe seu comentário

1500 caracteres restantes

Ao comentar você concorda com a publicação do seu nome e do seu comentário nesta página. Seu e-mail não é exibido e é usado apenas para moderação. Comentários ofensivos podem ser removidos pela redação — veja a política de privacidade.

Carregando comentários…

Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →
Faz parte da rede