Lula critica ministros do STF e pede fim de sigilos
Em comício em Curitiba, Lula criticou ministros do STF e defendeu mandatos para a Corte. Ele também comentou vazamentos de inquéritos e pediu abertura de sigilos do caso Banco Master.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, neste sábado (12.set.2026), a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante comício em Curitiba (PR), afirmou que “ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico” e que é necessário se dedicar ao ofício. As declarações ocorrem em meio a tensões entre o Executivo e o Judiciário, especialmente após a liberação de inquéritos sigilosos envolvendo o Banco Master.
Lula também disse ter conversado com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre vazamentos de inquéritos em curso. Sem citar o ministro André Mendonça, o petista fez críticas e reforçou ter pedido a queda de todos os sigilos do caso envolvendo o Banco Master. “Não é possível o cidadão, que é o juiz relator, ficar soltando matérias pinçadas, somente daquilo que interessava a ele. E eu pedi para liberar todo o processo”, declarou.
Defesa de mandatos para ministros
Nesta semana, Lula voltou a defender mandatos para ministros do STF. Ele já havia falado sobre o tema em fevereiro. A proposta, que exigiria mudança constitucional, divide opiniões no meio jurídico e político. O presidente não detalhou o tempo de mandato que considera ideal, mas reforçou a necessidade de limitar a permanência na Corte.
A fala de Lula em Curitiba remete a um capítulo pessoal de sua relação com a Justiça. Em fevereiro de 2019, veio a 2ª condenação, pelo caso do sítio em Atibaia (SP). A juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), somou à pena mais 12 anos e 11 meses. O TRF-4 aumentou o tempo de prisão para 17 anos, 1 mês e 10 dias.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.poder360.com.br
Contexto das condenações anuladas
Lula foi solto em 8 de novembro de 2019. Motivo: o Supremo Tribunal Federal havia determinado que a pena só pode ser cumprida depois do chamado “trânsito em julgado”, ou seja, quando não cabe mais recurso. As condenações foram posteriormente anuladas pelo STF. O petista sempre negou irregularidades e afirmou ser alvo de perseguição judicial.
As críticas de Lula ao STF ganham força após decisões recentes da Corte. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou, nesta 6ª feira (11.set), o sigilo de mais processos ligados às investigações sobre o Banco Master. Entre os inquéritos liberados está o que apura o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Investigações sobre o Banco Master
A investigação mira Flávio Bolsonaro, apontado pela Polícia Federal como o elo com Daniel Vorcaro na captação de recursos para a obra. Segundo a PF, o dinheiro foi administrado depois pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria Geral da República, que havia solicitado a abertura de todo o processo. Mendonça foi além e incluiu mais 21 por conta própria.
Entre os novos alvos estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que apura atuação no Congresso em favor do Master e de Vorcaro, com indícios de repasses financeiros – o que ele nega; Jaques Wagner (PT-BA), outra ramificação da investigação até então mantida em segredo; e Cláudio Castro, ex-governador do Rio, investigado sobre uma transferência de R$ 3,6 bilhões feita pelo Rioprevidência ao Banco Master.
Reação do presidente do STF
Na 6ª feira (11.set), o presidente do STF, Edson Fachin, havia dado 24 horas para que o relator enviasse a íntegra dos autos da operação Compliance Zero e da petição 15.556 à Presidência da Corte e aos gabinetes de todos os ministros. A medida foi interpretada como uma tentativa de dar transparência ao caso e evitar vazamentos seletivos.
Lula, em Curitiba, não mencionou diretamente as investigações, mas sua fala sobre “matérias pinçadas” ecoa a insatisfação com a divulgação parcial de informações. O presidente defendeu a liberação completa dos autos para que a sociedade possa conhecer o teor das apurações. A fonte não detalhou se o governo pretende formalizar algum pedido nesse sentido.
O comício em Curitiba faz parte da agenda de Lula pelo país, em um momento de reconfiguração política. A cidade, palco de suas condenações anuladas, tem forte simbolismo para o petista. A presença do presidente na capital paranaense reforça o tom de enfrentamento ao Judiciário, que deve marcar os próximos capítulos da relação entre os Poderes.
Fonte
- www.poder360.com.br
- Priorize o Poder no Google (www.google.com)
- Luiz Inácio Lula da Silva (drive.poder360.com.br)
- Sergio Moro (eleicoes.poder360.com.br)
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