Lula vê desaprovação subir no Nordeste e pressiona campanha
A menos de um mês do primeiro turno, Lula registra 35% de desaprovação no Nordeste, alta de 6 pontos em um mês. Flávio Bolsonaro planeja ofensiva na região, onde a disputa local impõe desafios à esquerda.

A menos de um mês para a votação do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Lula (PT) enfrenta o maior nível de desaprovação no Nordeste desde o início do ano, de acordo com pesquisa da Quaest divulgada na última segunda-feira (7). O cenário pressiona o petista no embate contra Flávio Bolsonaro (PL), que vê na região um caminho obrigatório para a vitória.
Desaprovação cresce seis pontos em um mês
Um dos aspectos que ajuda a explicar esse momento é a desaprovação do petista no Nordeste. Em janeiro deste ano, 30% dos eleitores da região desaprovavam a gestão de Lula. Em setembro, esse nível subiu para 35%.
Lula chegou a se recuperar um pouco de julho para agosto, mas desde então a linha da desaprovação vem apontando para cima. Em apenas um mês, ela avançou 6 pontos percentuais, assim como a aprovação recuou na mesma medida, como mostra o gráfico abaixo:
O movimento coincide com a intensificação da campanha de Flávio Bolsonaro, que tem mirado justamente os estados nordestinos para reverter a vantagem histórica do PT na região.
Flávio planeja ofensiva no Nordeste
Uma vitória de Flávio Bolsonaro contra Lula terá de passar, obrigatoriamente, pelo Nordeste. Não por acaso o candidato do PL visitou a região logo no início do período oficial de campanha. A primeira parada foi em Maceió (AL), terra de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL).
Diante do bom momento nas pesquisas — em que Flávio empata e chega a liderar numericamente no segundo turno contra Lula —, o candidato planeja uma ofensiva no Nordeste na próxima semana.
A estratégia inclui agendas em estados-chave, onde a disputa local impõe dificuldades para a esquerda e pode influenciar o voto presidencial.
Disputas estaduais complicam cenário para Lula
Nesses estados, a disputa local impõe dificuldades para a esquerda. Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, e Elmano de Freitas (PT), no Ceará, buscam a reeleição e têm embates com ACM Neto (União Brasil) e Ciro Gomes (PSDB), respectivamente.
Nas pesquisas mais recentes da Quaest, os cenários são de empate técnico no segundo turno. Em Pernambuco, o aliado de Lula, João Campos (PSB), perderia a disputa no segundo turno contra Raquel Lyra (PSD).
Esses confrontos regionais podem respingar na avaliação do governo federal e no desempenho de Lula na região, tradicionalmente um reduto petista.
Metodologia das pesquisas citadas
Os dados nacionais são da Quaest Presidente 14/1/2026: 2.004 entrevistados pela Quaest entre os dias 8 e 11 de janeiro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A.. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-00835/2026.
Já os levantamentos estaduais têm margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Em Pernambuco, a Quaest ouviu 1.302 pessoas de 4 a 7 de setembro de 2026, com registro PE-00285/2026. No Ceará, foram 900 entrevistados de 31 de agosto a 3 de setembro, registro CE-01149/2026. Na Bahia, 900 entrevistados de 23 a 26 de agosto, registro BA-06206/2026.
O crescimento da desaprovação de Lula no Nordeste acende um alerta na campanha petista, que precisa conter a sangria em seu principal colégio eleitoral para evitar uma virada de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
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