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Política

Lula rebate Trump e defende soberania: “Ele não é imperador do mundo”

Lula rebate sobretaxa de Trump e defende soberania brasileira. Presidente criticou ruptura diplomática e afirmou que Brasil buscará resposta oficial e multilateral.

Presidente Luís Inácio da Silva
#Foto: Ricardo Stuckert
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu com firmeza às provocações feitas por Donald Trump durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional. O ex-presidente dos Estados Unidos anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, sem aviso formal, o que levou Lula a classificar a medida como unilateral, autoritária e diplomática incorreta.

“Trump não foi eleito imperador do mundo”, afirmou Lula. Segundo o presidente, a decisão que impacta diretamente o comércio entre os países foi tomada sem aviso prévio, ignorando o canal diplomático tradicional e interrompendo uma negociação em curso entre os dois governos.

“Nós estávamos negociando com os Estados Unidos. Enviamos uma proposta em 16 de maio e, em vez de resposta, recebemos um anúncio em site oficial com acusações infundadas”, disse Lula.

O presidente apontou três inverdades na carta de Trump:

  • Alegação de déficit comercial: Lula afirma que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam superávit de US$ 410 bilhões com o Brasil.

  • Críticas ao Judiciário brasileiro: O petista lembrou que a Justiça é independente, e o presidente não interfere em investigações.

  • Taxação de big techs: Segundo Lula, é direito soberano do Brasil cobrar impostos, e qualquer discordância deveria ser resolvida por meio de negociação multilateral.

Reação e medidas possíveis

Lula garantiu que o Brasil não aceitará imposições e que buscará respostas dentro da legalidade internacional. Entre as opções, o presidente mencionou:

  • Recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC)

  • União com outros países afetados

  • Aplicação da lei da reciprocidade aprovada pelo Congresso

“Vamos usar todas as palavras do dicionário para negociar. Mas, se não der certo, o Brasil vai reagir”, disse.

Bolsonaro, pressão política e defesa da democracia

Lula também rebateu Trump sobre as acusações contra Jair Bolsonaro. Segundo o presidente, as ações contra o ex-mandatário são conduzidas pelo Ministério Público e pela Justiça, sem qualquer interferência do Planalto.

“Bolsonaro está sendo julgado por tentar dar um golpe e ameaçar instituições. Se Trump tivesse feito aqui o que fez no Capitólio, também estaria sendo julgado”, afirmou.

Brasil quer diálogo, não submissão

Apesar das críticas, Lula reiterou que deseja manter boa relação com os Estados Unidos, mas sem abrir mão da autonomia brasileira. O presidente destacou que o Brasil já abriu 379 novos mercados internacionais e busca diversificar seus parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, países da América Latina e o bloco dos BRICS.

“Não queremos romper com os EUA, mas também não queremos ser reféns. O Brasil aceita negociar, não ser submetido.”

Resposta oficial será feita em carta diplomática

Lula confirmou que uma resposta formal será enviada a Trump até 1º de agosto, por meio de carta oficial e não por redes sociais, como foi feito pelo norte-americano.

“O Brasil tem dono: 215 milhões de brasileiros. E será tratado com respeito.”

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Nara Souza
Autoria
Nara Souza
Jornalista graduada e pós-graduada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Tem experiência em revisão de textos, redação jornalística, produção editorial de materiais didáticos para EaD, assessoria de imprensa, jornal impresso e televisão. Redatora Web no Portal BnT Online desde março de 2025.
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