Na noite desta sexta-feira (30), o Portal BnT Online foi procurado por uma mãe que denunciou o descaso na central de leitos. A mãe, Sheyla, afirma que seu filho, Davi Lucas, de 6 anos, autista, aguarda por uma vaga desde quinta-feira (29) na UPA Santa Paula. O menino foi levado à unidade com suspeita de otorragia interna, com sangramento nos ouvidos, e, segundo ela, deveria ter prioridade no atendimento.
Sheyla relata que, mesmo com o quadro considerado sensível pelos médicos, a central de leitos informou que não há vaga disponível e que a previsão inicial seria apenas para segunda-feira (2). A mãe conta que teme uma crise, já que o filho “não tem paciência para esperar” e está ficando nervoso com a longa permanência na UPA, sem compreender a situação.
Segundo ela, ao longo desta sexta-feira (30), o pai da criança, preocupado com a demora, chegou a deixar a unidade sem alta médica para tentar atendimento particular com um otorrinolaringologista. No entanto, a família recebeu uma ligação orientando que retornasse, sob risco de acionamento do Conselho Tutelar. Ao voltar, foram informados de que o processo seria reiniciado, como se o atendimento tivesse começado naquele momento — o que, conforme Sheyla, os coloca novamente no início da fila da central de leitos.
A mãe reforça que o atendimento da equipe da UPA Santa Paula tem sido prestativo, mas destaca que o problema está na central de leitos. “Ele está reclamando de dor e já não fazem mais nada aqui. Só o otorrino pode avaliar. Ele foi colocado na fila como prioridade, não só pelo autismo, mas também pela gravidade da suspeita de sangramento interno”, relata.
A família procurou inicialmente o CAC e, de lá, foi encaminhada à UPA. A médica responsável solicitou encaminhamento ao Hospital Universitário Materno-Infantil (Humai), considerando a necessidade de investigação mais aprofundada.
A legislação garante prioridade para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme a Lei Federal 14.626/2023 e a Lei 12.764/2012. O uso da Ciptea ou do símbolo da fita quebra-cabeça reforça esse direito. No Paraná, a Lei Ordinária 21.964/2024 amplia a proteção e integra os serviços.
A recusa ou demora injustificada no atendimento prioritário pode caracterizar descumprimento legal.
A redação do Portal BnT Online entrou em contato com a assessoria da UPA, que informou que a unidade está dentro do prazo para a regulamentação da vaga pela central de leitos. A assessoria explicou ainda que a criança está sendo medicada e assistida normalmente pelos profissionais da UPA, e que o prazo mencionado de 72 horas não procede, já que a vaga pode ser definida a qualquer momento, conforme a dinâmica da regulação de leitos do estado.
O Portal BnT seguirá acompanhando o caso e atualizará a matéria assim que houver novas informações.
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