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Magnata do petróleo na Venezuela citado em e-mails de Epstein

O empresário Alejandro Betancourt, dono da petrolífera Nabep, é citado em e-mails de Jeffrey Epstein divulgados recentemente. As mensagens, de 2012, mostram tentativas de aproximação entre Epstein e figuras venezuelanas. Betancourt agora lidera um acordo bilionário com os EUA para explorar petróleo na Venezuela.

Magnata do petróleo na Venezuela é citado em e-mails de Epstein
Crédito: Otavio Augusto/Arte Metrópoles
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O empresário Alejandro Betancourt, dono da petrolífera Nabep, aparece em e-mails do bilionário Jeffrey Epstein, morto na prisão em 2019. As mensagens, datadas de 2012, revelam tentativas de aproximação entre Epstein e figuras do alto escalão venezuelano. O conteúdo foi divulgado em meio a um acordo bilionário entre a Nabep e o governo dos Estados Unidos para exploração de petróleo na Venezuela.

E-mails mostram convite para encontro

Um dos e-mails foi encaminhado em setembro de 2012 a Epstein pelo empresário venezuelano Francisco D’Agostino, sancionado pelos EUA em 2021 por ajudar a Venezuela a driblar sanções contra o petróleo. Na mensagem, D’Agostino escreve: “Alejandro Betancourt, meu parceiro de negócios, e eu estamos disponíveis para te encontrar na segunda-feira (19/11/2012). Podemos ter um almoço? Sua casa?”.

O empresário ainda cita uma série de pessoas que gostaria de apresentar a Epstein, incluindo empresários, banqueiros e políticos venezuelanos – como o General Alejandro Andrade, então chefe do Tesouro venezuelano, descrito no e-mail como “um dos amigos mais próximos de Chavez”. A fonte não detalhou se o encontro chegou a ocorrer.

Epstein pede roteiro para Caracas

Epstein respondeu ao convite com uma pergunta: “Você poderia me dar uma ideia aproximada de um roteiro de uma noite e dois dias para Caracas… para que eu possa apresentar para o meu pessoal? Espero que tenha se divertido”. Não há informações públicas de que a viagem do bilionário à Venezuela tenha acontecido.

Um dia depois da data marcada para o almoço, em 20 de novembro de 2012, Epstein voltou a escrever a D’Agostino: “Me mande o nome do seu amigo, por favor”. A identidade do “amigo” não foi revelada nos documentos disponíveis.

Mensagem cita oportunidade de investimento

Outro e-mail, datado de dezembro de 2012, foi encaminhado de D’Agostino a um contato identificado como “S A”, com cópia para Epstein e Betancourt. O anexo do e-mail consta como “Memo oil Venezuela”. No texto, o empresário venezuelano se dirige a “Mr. Abdulhak” e diz: “Jeff, obrigado pela introdução. Em anexo uma breve descrição da oportunidade de investimento que gostaria de discutir contigo”.

Não há detalhes adicionais sobre o conteúdo do memorando ou se o investimento foi concretizado. A fonte não detalhou o papel de Betancourt nessa comunicação específica.

Acordo bilionário com os EUA

O acordo entre o governo Trump e a Venezuela, comandada interinamente pela presidente Delcy Rodríguez, prevê que autoridades venezuelanas concedam à petrolífera NABEP concessões de 100 anos para explorar 17 campos de petróleo. As reservas desses campos são de aproximadamente 65 bilhões de barris, segundo a Casa Branca.

A NABEP concedeu ao Departamento de Guerra americano uma participação em 35% das ações de sua empresa controladora. O valor representa centenas de bilhões de dólares em valor e dividendos para os EUA. O Departamento de Estado dos EUA poderá comprar 20% da produção, a preço de custo, de todos os campos atuais e futuros que a NABEP operar.

O governo americano ainda tem a preferência na compra dos outros 80% da produção. A maioria dos membros do conselho da NABEP deve ser composta por cidadãos americanos. “A NABEP contará com auditores, advogados e consultores americanos de renome, e o acordo do governo dos EUA com a NABEP é regido pela legislação americana e está sujeito à jurisdição dos tribunais americanos”, diz o comunicado da Casa Branca sobre o acordo.

Venezuela classifica acordo como histórico

O acordo ainda prevê que a empresa irá investir US$ 100 bilhões em novas infraestruturas petrolíferas na Venezuela. Pelo lado venezuelano, a presidente Delcy Rodríguez classificou o acordo como “histórico” para o país e afirma que a Venezuela vai manter a “propriedade e soberania” do petróleo de lá.

A presidente interina alega que o acordo é útil à Venezuela pois o país não tem capacidade de explorar combustível fóssil por si só, apesar de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo. “Escolhemos o caminho da diplomacia com os Estados Unidos, para transformar nossas diferenças em cooperação, e essa cooperação em investimentos, produção, bem-estar e resultados concretos para os venezuelanos”, afirmou Delcy sobre o trato.

O parlamento venezuelano aprovou o acordo nesta terça-feira (1°/9). A aprovação marca um passo importante para a implementação do pacto, que pode redefinir a indústria petrolífera venezuelana e as relações bilaterais.

O envolvimento de Betancourt com Epstein, ainda que em mensagens de 2012, adiciona uma camada de escrutínio ao magnata, que agora está no centro de um dos maiores acordos energéticos das Américas. O portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa história e seus impactos globais.

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