A mineração nos Campos Gerais vive um momento estratégico após registrar crescimento histórico entre 2019 e 2024. Apesar da expansão na produção e na arrecadação, o setor mantém cautela diante de desafios estruturais e do cenário político que se desenha para 2026.
Em entrevista ao BnT News, o presidente do Sindiminerais Paraná, Gustavo Mandaloso, destacou que a atividade mineral depende diretamente de segurança jurídica e previsibilidade ambiental. Segundo ele, um empreendimento pode levar até dez anos entre estudos técnicos, licenciamento e início da operação. “A mineração exige estabilidade regulatória. Sem isso, o investimento não acontece”, afirmou.
Nos Campos Gerais, o setor tem forte presença em municípios como Ponta Grossa, Castro, Balsa Nova, Itaiacoca e Abapã. Ao todo, o sindicato reúne 127 estabelecimentos no Paraná, gerando mais de 2,8 mil empregos diretos. Apenas na região do Socavão, circulam diariamente entre 150 e 200 caminhões transportando minério, demonstrando a intensidade da cadeia logística local.
Outro ponto estratégico da mineração nos Campos Gerais é a produção de minerais não metálicos, essenciais para a construção civil, o agronegócio e até a indústria de tecnologia. Quartzo e silício extraídos na região são matérias-primas fundamentais para a fabricação de chips e componentes eletrônicos — um mercado global em expansão.
A relação com outros setores da economia também é determinante. A demanda por calcário, areia e fosfato acompanha o desempenho da agricultura e da construção civil. Oscilações nesses segmentos impactam diretamente as mineradoras.
O setor também enfrenta escassez de mão de obra especializada. Operadores de máquinas, topógrafos e técnicos em logística estão entre os profissionais mais procurados. A modernização reduziu a necessidade de grandes equipes, mas aumentou a exigência por qualificação técnica.
Na área ambiental, Mandaloso reforçou que a mineração atual opera sob fiscalização rigorosa. Áreas exploradas passam por recuperação ambiental e podem se transformar em plantações ou áreas reflorestadas, reforçando o compromisso com sustentabilidade.
Para 2026, a expectativa é positiva, mas o ano eleitoral gera apreensão. Representantes do setor já dialogam com lideranças políticas para garantir previsibilidade e responsabilidade nas decisões que impactam a mineração regional.
No cenário internacional, os Campos Gerais também mantêm participação relevante, especialmente na cadeia de pisos e revestimentos cerâmicos exportados. Após a Guerra da Ucrânia, houve aumento na exportação de argila para a Europa, ampliando oportunidades externas.
Com forte impacto econômico e geração de empregos, a mineração segue como um dos pilares do desenvolvimento regional — mas seu futuro dependerá de estabilidade, qualificação profissional e planejamento estratégico.
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