Moraes mantém rotina e demonstra frieza nos bastidores sobre Vorcaro
Relatos apontam que ministro segue agenda normalmente enquanto tensão envolvendo Moraes, André Mendonça e o caso Banco Master aumenta dentro do Supremo

Em meio a uma das mais delicadas crises recentes enfrentadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes estaria mantendo uma postura de aparente tranquilidade nos bastidores da Corte. Segundo relatos de colegas, auxiliares e pessoas próximas ao magistrado, Moraes continua cumprindo normalmente sua agenda, despachando processos e até fazendo brincadeiras durante conversas com integrantes da equipe.
O comportamento chama atenção diante da dimensão da disputa que se instalou no Supremo após a divulgação de informações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao extinto Banco Master.
A tensão aumentou depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens e registros relacionados a Vorcaro e Moraes. O documento mapeia encontros ocorridos entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025 e integra as apurações relacionadas ao caso Master.
Mesmo após a divulgação do relatório e dos novos desdobramentos, Moraes não teria demonstrado abatimento. Conforme a apuração publicada pela CNN, o ministro manteve compromissos já previstos, incluindo reunião com integrante da Advocacia-Geral da União (AGU), e continuou trabalhando normalmente.
Clima de perplexidade dentro do Supremo
Enquanto Moraes mantém uma postura de normalidade, o ambiente entre ministros e interlocutores do STF seria bastante diferente. Nos corredores do Supremo, há relatos de perplexidade com a escalada do conflito. Até pessoas próximas a Moraes estariam evitando uma defesa pública mais contundente do ministro. Entre seus interlocutores circula a avaliação de que as ações de André Mendonça fariam parte de uma movimentação articulada contra Moraes.
A disputa passou para outro patamar depois que Moraes apresentou acusações contra Mendonça e pediu que o colega fosse investigado.
Entre os pontos levantados estão suspeitas relacionadas à condução de investigações e alegações de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As acusações, porém, ainda precisam passar por avaliação institucional e não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade do ministro.
Fachin entra em campo para administrar crise
Nesta sexta-feira (4), o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu retirar do inquérito das fake news o pedido de investigação contra André Mendonça apresentado por Moraes. Fachin determinou que as acusações sejam analisadas dentro de outro procedimento, reunindo no mesmo processo questionamentos envolvendo os dois ministros.
Ele também estabeleceu prazo de cinco dias úteis para manifestações de Mendonça e da Procuradoria-Geral da República.
A decisão ocorre em meio a discussões internas sobre uma possível saída institucional para a crise. O próprio encerramento do chamado inquérito das fake news voltou a entrar nas conversas entre integrantes do Supremo. Fachin já havia defendido publicamente que a investigação, aberta em 2019, deveria caminhar para um encerramento. Com a atual crise, integrantes da Corte avaliam que pode haver espaço para acelerar essa discussão.
Caso Master amplia pressão sobre o STF
A origem da nova turbulência está nos desdobramentos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. A revelação de mensagens e informações relacionadas ao ex-banqueiro trouxe para o centro do debate a relação de integrantes do Judiciário e de outras autoridades com Vorcaro. No caso de Moraes, a divulgação do material provocou questionamentos e desencadeou uma reação direta do ministro contra a atuação de Mendonça.
Apesar da escalada da disputa, Moraes, segundo os relatos publicados nesta sexta-feira, continua demonstrando pouca alteração em sua rotina. O contraste é significativo: enquanto nos corredores do Supremo ministros discutem procedimentos, acusações cruzadas e caminhos para tentar conter a crise, Alexandre de Moraes segue despachando, realizando reuniões e mantendo diante de auxiliares uma postura de normalidade.
A crise, porém, está longe de encerrada. As próximas decisões de Fachin e as manifestações da Procuradoria-Geral da República devem ajudar a definir se a disputa entre dois ministros será contida institucionalmente ou se abrirá uma nova etapa de tensão dentro da mais alta Corte do país.
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