Mudança na divisa faz cerca de 500 moradores trocarem de cidade no Paraná
Nova delimitação entre Bocaiúva do Sul e Rio Branco do Sul busca corrigir problemas administrativos provocados por mapas elaborados há mais de sete décadas

Cerca de 500 moradores da Região Metropolitana de Curitiba passarão oficialmente a pertencer a outro município após uma mudança na divisa entre Bocaiúva do Sul e Rio Branco do Sul. A alteração foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e depende da sanção do Governo do Estado.
O Projeto de Lei nº 630/2026 atualiza uma delimitação territorial baseada em documentos cartográficos da década de 1950. Segundo a Alep, 83 domicílios que atualmente aparecem dentro do território de Rio Branco do Sul passarão a integrar Bocaiúva do Sul.
A mudança envolve principalmente as comunidades rurais de Macieira, Ribeirãozinho, São Felipe e Caeté. Apesar de algumas dessas áreas constarem nos mapas como pertencentes a Rio Branco do Sul, muitos moradores sempre mantiveram uma ligação maior com Bocaiúva do Sul, inclusive pela proximidade com a área urbana da cidade.
Problemas enfrentados pelos moradores
A falta de clareza sobre a divisa provocava dificuldades na prestação de serviços públicos e até mesmo na rotina das famílias. Entre os problemas estavam dúvidas sobre o município responsável pela manutenção das estradas, atendimento na saúde, matrículas escolares, entrega de correspondências e definição do local de votação.
Os moradores também enfrentavam obstáculos para atualizar comprovantes de residência, contas de água e energia, registros rurais e documentos relacionados aos imóveis.
Com a nova delimitação, os cadastros poderão ser regularizados para indicar que essas comunidades pertencem oficialmente a Bocaiúva do Sul. A atualização dos documentos e dos imóveis deverá acontecer gradualmente, conforme cada morador solicitar as mudanças necessárias.
Discussão começou em 2022
Os estudos para corrigir a divisa começaram em 2022, com a participação das prefeituras, de órgãos estaduais e de entidades da Região Metropolitana de Curitiba. Técnicos analisaram córregos, estradas, características do relevo e outros pontos que poderiam servir como referências mais precisas para a nova demarcação.
A alteração também deve deixar mais claro qual prefeitura deverá atender cada comunidade. Além dos serviços públicos, a quantidade de moradores registrada em cada cidade pode influenciar o cálculo de repasses do Fundo de Participação dos Municípios.
A tramitação do projeto foi concluída na Alep na terça-feira (28). Após a sanção, os novos limites territoriais passarão a valer oficialmente, encerrando uma indefinição que permaneceu por mais de sete décadas.























