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Mulheres ocupam menos de um terço dos cargos de gestão

Apenas 30,5% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres, segundo pesquisa da OIT. O número cresceu lentamente desde os 24% registrados há três décadas. Especialistas apontam desequilíbrio crítico e queda na implementação de programas de apoio.

Mulheres ocupam menos de um terço dos cargos de gestão
Crédito: www.terra.com.br
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As mulheres ainda ocupam menos de um terço dos cargos de gestão empresarial no mundo, segundo revelou nesta terça-feira uma pesquisa global realizada pelo órgão da ONU responsável pelo trabalho. Embora haja um número crescente de mulheres CEOs, elas representam apenas 30,5% do total de cargos de gestão, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com dados de milhares de empresas em 99 países.

O levantamento aponta um desequilíbrio grave no mercado de trabalho, que persiste apesar dos avanços na educação feminina. A participação cresceu lentamente, partindo de cerca de 24% há três décadas, afirmou Jae-Hee Chang, especialista sênior em relações da OIT, em coletiva de imprensa em Genebra.

Progresso lento e potencial subutilizado

“Houve progresso. Há um forte argumento comercial, mas o considerável potencial (das mulheres) continua subutilizado”, disse Chang. A especialista destacou que, embora as mulheres tenham alcançado níveis educacionais iguais ou superiores aos homens em muitos países, isso não se refletiu proporcionalmente nos cargos de liderança.

O relatório descreveu um “desequilíbrio crítico” e indicou que há sinais de que a implementação de programas de apoio às mulheres — como a licença-maternidade, que se mostrou eficaz — estava diminuindo. Essa redução pode comprometer os ganhos obtidos nas últimas décadas, alertam os pesquisadores.

Barreiras estruturais e responsabilidades de cuidado

O relatório instou as empresas a adotarem medidas para eliminar as barreiras estruturais à progressão na carreira. Entre os obstáculos apontados estão a falta de políticas de flexibilidade, vieses inconscientes em processos de promoção e a ausência de redes de mentoria para mulheres.

Além disso, o documento afirmou que outros fatores, como a distribuição desigual das responsabilidades com os cuidados fora do local de trabalho, também precisavam ser analisados. Em muitos países, as mulheres dedicam mais horas do que os homens ao trabalho não remunerado de cuidado com filhos, idosos e tarefas domésticas, o que limita sua disponibilidade para cargos de alta exigência.

Licença-maternidade eficaz, mas em declínio

A licença-maternidade foi citada como uma política eficaz para manter as mulheres no mercado de trabalho e apoiar sua ascensão profissional. No entanto, o relatório observou que a implementação desses programas está diminuindo em algumas regiões, o que pode reverter os avanços conquistados.

A OIT não detalhou quais países ou setores apresentaram redução nas políticas de apoio, mas ressaltou a necessidade de monitoramento contínuo. A especialista Jae-Hee Chang enfatizou que as empresas que investem em diversidade de gênero tendem a ter melhor desempenho financeiro e maior capacidade de inovação.

O que as empresas podem fazer

Para reverter o cenário, o relatório recomenda ações concretas: revisão dos processos de recrutamento e promoção para eliminar vieses, estabelecimento de metas de diversidade com acompanhamento público e criação de programas de desenvolvimento de liderança para mulheres.

Também sugere a adoção de políticas de trabalho flexível e a promoção de uma cultura organizacional inclusiva, que valorize a contribuição feminina em todos os níveis. A distribuição equitativa das responsabilidades de cuidado, com incentivo à licença-paternidade e a serviços de creche acessíveis, é apontada como fundamental.

Impacto global e relevância local

Embora a pesquisa tenha abrangência global, os dados refletem desafios presentes também no Brasil e no Paraná. Em Ponta Grossa e nos Campos Gerais, a participação feminina em cargos de gestão segue abaixo da média nacional em alguns setores, segundo observações de especialistas locais, embora a fonte não tenha detalhado números regionais.

O relatório da OIT serve como alerta para empresas e governos: sem políticas consistentes, a igualdade de gênero na liderança pode levar décadas para ser alcançada. A fonte não detalhou projeções de tempo, mas destacou a urgência de ações coordenadas.

Para acompanhar mais notícias sobre mercado de trabalho e diversidade, continue navegando pelo portal Boca no Trombone.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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