Otan islâmica segue inativa apesar de ataques Houthis
O acordo militar trilateral assinado em agosto entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, apelidado de ‘Otan islâmica’, permanece sem ser ativado, apesar dos ataques dos Houthis contra o território saudita. O ministro da Defesa paquistanês afirmou que o pacto pode entrar em vigor se a situação escalar.

O acordo militar histórico firmado no último mês entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, que prevê a defesa mútua caso um dos países seja atacado, não foi ativado até o momento apesar da ofensiva dos Houthis contra o território saudita. Desde julho, o grupo iemenita tem atacado posições militares sauditas ao longo da fronteira com o Iêmen, assim como instalações energéticas dentro da Arábia Saudita. Na última terça-feira (8/9), ao menos 73 civis ficaram feridos na Arábia Saudita após ataques dos Houthis em quatro cidades.
A escalada das hostilidades reacende o debate sobre a eficácia do chamado Acordo de Defesa Conjunta de Meca, assinado em 7 de agosto. O pacto trilateral, que estabelece o compromisso de ação mútua em caso de agressão a um dos membros, foi comparado à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Apesar disso, a chamada “Otan islâmica” ainda não se envolveu nos confrontos entre sauditas e os Houthis.
Contexto do conflito no Iêmen
Aproveitando a instabilidade política e social no Iêmen, os Houthis tomaram o controle do norte do país, incluindo a capital Sanaa, em 2014. Na tentativa de apoiar o governo iemenita reconhecido, a Arábia Saudita criou uma coalizão militar internacional em 2015. Em 2022, a ONU mediou um acordo de cessar-fogo entre todas as partes envolvidas no conflito. A trégua, no entanto, foi rompida em diversas ocasiões.
Os ataques do grupo coincidem com um bloqueio marítimo contra embarcações sauditas no Estreito de Bab el-Mandeb, em vigor desde julho, e da ofensiva dos Houthis no Iêmen. Essa combinação de pressões militar e econômica tem elevado a tensão na região, mas ainda não foi suficiente para acionar o mecanismo de defesa coletiva previsto no acordo de Meca.
Cooperação via coalizão de 2015
Paquistão e Turquia continuam cooperando com a Arábia Saudita por meio da coalizão militar criada em 2015 para apoiar o governo do Iêmen na guerra contra o grupo iemenita. Essa participação, porém, ocorre fora do escopo do novo pacto trilateral. A fonte não detalhou se há diferenças práticas entre os dois arranjos ou se o acordo de Meca representa apenas uma formalização de compromissos já existentes.
A manutenção da cooperação via coalizão sugere que os três países preferem, por ora, evitar uma escalada que poderia ser interpretada como uma declaração de guerra regional. A ativação do acordo de defesa conjunta poderia arrastar a Turquia, membro da Otan, para um conflito mais amplo no Oriente Médio, com implicações imprevisíveis.
Declaração do ministro paquistanês
Na quarta-feira (9/9), o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou que o acordo pode ser ativado caso a situação na região escale. “Se houver agressão não provocada, ou se o que está acontecendo no Iêmen [ofensiva dos Houthis] se alastrar para a Arábia Saudita, o Acordo de Meca certamente entrará em vigor”, declarou o ministro durante entrevista ao jornal paquistanês Geo News.
A fala de Asif indica que, apesar da inação até o momento, o pacto não é letra morta. A condição para sua ativação, segundo o ministro, seria uma agressão não provocada ou a expansão do conflito para dentro do território saudita. Os ataques recentes, embora tenham atingido cidades sauditas, podem não ter sido interpretados como uma agressão que justifique a invocação do tratado.
Por que o acordo não foi acionado?
A decisão de não ativar o acordo pode estar relacionada a cálculos estratégicos. A Arábia Saudita, como líder da coalizão de 2015, pode preferir manter o controle das operações militares sem envolver diretamente seus novos parceiros. Além disso, a natureza dos ataques dos Houthis — muitas vezes com mísseis e drones — pode ser vista como uma ameaça limitada, que não exige uma resposta coletiva nos termos do tratado.
Outro fator é a sensibilidade política. A Turquia tem laços complexos com o Irã, principal apoiador dos Houthis, e uma ativação precipitada do acordo poderia prejudicar o equilíbrio diplomático na região. O Paquistão, por sua vez, enfrenta pressões internas e externas, e sua participação em conflitos no Oriente Médio é historicamente controversa. A fonte não detalhou se houve consultas formais entre os três países sobre a ativação do pacto.
Impacto humanitário e próximos passos
Os ataques dos Houthis têm causado vítimas civis e danos à infraestrutura energética saudita. O saldo de 73 feridos em quatro cidades, registrado na terça-feira, evidencia o custo humano do conflito. A comunidade internacional acompanha com preocupação a possibilidade de uma escalada que envolva diretamente as potências regionais.
Até o momento, não há indicação de que o Acordo de Meca será acionado em curto prazo. A declaração do ministro paquistanês, porém, mantém a porta aberta para uma resposta coletiva caso a situação se deteriore. O desenrolar dos acontecimentos no Iêmen e na fronteira saudita será decisivo para o futuro da “Otan islâmica”.
Para mais informações sobre o conflito no Iêmen e seus desdobramentos regionais, continue acompanhando o portal Boca no Trombone.
Fonte
Comentários
Nenhum comentário aindaCarregando comentários…























