18 anos de saudade: família relembra legado do padre Ezequiel Belchior em PG
Padre Ezequiel Belchior é lembrado 18 anos após sua morte. Religioso deixou legado na educação de crianças carentes em Ponta Grossa e no Paraná.

Nesta quinta-feira (13), uma data transforma a saudade em memória para a família Belchior e para aqueles que conviveram com o padre Ezequiel Belchior. Há exatamente 18 anos, em 13 de agosto de 2008, ele perdia a vida aos 33 anos em um grave acidente de trânsito. Quase duas décadas depois, permanece a lembrança de um homem cuja trajetória foi marcada pela fé, pela educação e, principalmente, pela dedicação às crianças.
Natural de uma família humilde e tendo enfrentado ainda jovem a perda dos pais ao lado dos irmãos, Ezequiel construiu uma vida voltada ao serviço ao próximo. Além da vocação religiosa, era formado em Pedagogia, formação que esteve diretamente ligada ao trabalho desenvolvido durante sua trajetória.
Em Ponta Grossa, padre Ezequiel foi diretor do Instituto João XXIII, onde, segundo familiares, dedicou anos ao atendimento e à formação de crianças em situação de vulnerabilidade social. Seu trabalho ia além das responsabilidades administrativas: envolvia educação, disciplina, acolhimento e convivência próxima com a comunidade.
A família recorda que o padre tinha uma atenção especial com as crianças e buscava contribuir não apenas para a formação escolar, mas também para que elas encontrassem oportunidades e perspectivas para o futuro.
Uma missão que continuou em Matelândia
Depois da passagem no município princesino, Ezequiel foi transferido para Matelândia, no Oeste do Paraná, onde assumiu a direção do Instituto Padre João Piamarta e também desenvolveu atividades religiosas junto à comunidade local.
Foi justamente durante esse período que sua trajetória foi interrompida. Conforme o relato da família, padre Ezequiel morreu em um acidente automobilístico quando retornava de uma atividade relacionada à arrecadação de doações destinadas às crianças atendidas pelo trabalho social.
Para os familiares, a circunstância de sua partida representa, de forma dolorosa, aquilo a que ele havia dedicado a própria vida: ajudar quem precisava.
“O próximo vinha antes dele”
O sobrinho Tiago de Almeida Belchior resume a lembrança do tio como a de alguém que colocava as necessidades da comunidade antes das próprias.
“Tio Ezequiel Belchior era um grande homem que não pensava em si próprio, mas sempre em ajudar a comunidade e as crianças carentes. Tinha um coração gigante, cheio de amor ao próximo. Ele sempre dizia que o próximo vinha antes dele”, relembra.
Tiago afirma que, apesar da partida precoce, o trabalho realizado pelo padre permanece vivo na memória da família e de quem teve a oportunidade de conhecê-lo.
“Partiu fazendo o que amava, que era cuidar da comunidade e das nossas crianças. Partiu cedo demais, mas deixou um grande legado. O que nos resta são as lembranças e a saudade do nosso querido tio”, completa, em nome da família Belchior.
Nome permanece vivo na cidade
Parte desse legado também está eternizada aqui. No bairro Bonsucesso, um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) leva o nome de Ezequiel Belchior, mantendo sua memória ligada justamente a uma das áreas às quais dedicou grande parte da vida, a educação das crianças!
Para a família, a homenagem representa mais do que o nome estampado em uma instituição. É uma forma de fazer com que novas gerações tenham contato com a memória de alguém que encontrou na fé, na educação e na solidariedade uma missão.
Dezoito anos se passaram desde aquele 13 de agosto de 2008. A ausência permanece, assim como a saudade. Mas, para quem conviveu com padre Ezequiel Belchior, sua história continua sendo lembrada não pela forma como terminou, e sim por tudo aquilo que construiu enquanto esteve presente.
Uma vida curta em anos, mas extensa no legado deixado às crianças, à família e às comunidades por onde passou.
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