PCPR desarticula grupo nacional de jogos de azar e cumpre mais de 300 ordens judiciais

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A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou uma operação de grande escala para desarticular uma organização criminosa com atuação nacional voltada à exploração de jogos de azar. A ação ocorre simultaneamente em 27 cidades distribuídas pelos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás, em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR).

Até o momento, 55 pessoas foram presas entre terça-feira (7) e quarta-feira (8). Entre os detidos estão lideranças do grupo, dois vereadores e integrantes dos núcleos financeiro e operacional.

A operação mobiliza mais de 330 policiais civis e conta com o apoio de três aeronaves. Ao todo, foram expedidas 371 ordens judiciais, incluindo 85 mandados de prisão preventiva, 102 mandados de busca e apreensão e 184 ordens de bloqueio de contas bancárias, com o objetivo de sequestrar até R$ 1,5 bilhão.

Além das prisões, a PCPR atua no sequestro de 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões, 111 imóveis que somam cerca de R$ 32,9 milhões e mais de cem cabeças de gado, com valor estimado em R$ 43,9 milhões. Também foram retirados do ar 21 sites de apostas ilegais.

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As ações são realizadas em municípios como Campo Mourão, Maringá, Londrina e Curitiba, no Paraná, além de cidades em São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Pará.

A investigação teve início há mais de três anos, na cidade de Grandes Rios, no Norte do Paraná. Durante esse período, foram analisados mais de 2,6 terabytes de dados e cerca de 520 mil operações financeiras, a partir de dezenas de quebras de sigilos bancário e fiscal.

De acordo com o delegado Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, as apurações identificaram a formação de um conglomerado criminoso a partir da união de dois grandes grupos — um paranaense e outro goiano — especializados na exploração de jogos ilegais em diferentes regiões do país.

Segundo a PCPR, o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões em cerca de 522 mil transações financeiras. As investigações também apontaram o uso de fintechs e contas intermediárias para dificultar o rastreamento dos valores.

A organização atuava há mais de 10 anos e mantinha milhares de pontos de exploração de jogos ilegais, incluindo cerca de 15 mil pontos relacionados ao jogo do bicho. Entre os crimes investigados estão organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.

Ainda conforme a polícia, o grupo possuía uma estrutura dividida em setores, com liderança, núcleo financeiro, suporte tecnológico e operação. Foram identificadas empresas de fachada utilizadas para dar aparência legal aos recursos obtidos de forma ilícita.

Para ocultar a origem dos valores, os investigados utilizavam contas bancárias em nome de terceiros, com movimentações sequenciais e fragmentadas. Além disso, mantinham uma empresa de tecnologia responsável pelo desenvolvimento e manutenção de plataformas digitais usadas na exploração dos jogos ilegais.

Esses sistemas permitiam tanto a transmissão das atividades ilícitas quanto o controle financeiro das operações, sendo utilizados em ao menos 14 estados brasileiros por diversas bancas de jogo do bicho.  (Com assessoria)

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