Penhasco, por Renata Régis Florisbelo
A vista magnífica. Uma ponta de terra que avança sobre o mar. Penhasco, alto, íngreme e pitoresco nas entradas estreitas, um giro de quase cento e oitenta graus e lá estava toda a encosta em bordas para se avistar. A vista seguia longe, oceano adentro e praias a se espraiarem, terras e a civilização a […]

A vista magnífica. Uma ponta de terra que avança sobre o mar. Penhasco, alto, íngreme e pitoresco nas entradas estreitas, um giro de quase cento e oitenta graus e lá estava toda a encosta em bordas para se avistar. A vista seguia longe, oceano adentro e praias a se espraiarem, terras e a civilização a se emaranharem. No final da porção mais alta, os abismos nos costões íngremes em pedras e vegetação rala na aridez da encosta.
Talvez um canto de sereia ou o silfo do vento ou ainda um sussurro de alguém através do tempo. Uma nesga de brilho do sol a resplandecer no cenário. Alguns se deixando seduzir pelo chamado para a borda do penhasco. Os avisos de perigo insuficientes, ignorados pelos ouvidos que atendiam os insanos chamados insistentes.
E as sereias em seu canto melodioso fazem mais vítimas. Um arrepio em quem chega até a borda e não se deixa conduzir pelos hipnotizantes murmúrios. Uma inquietação em quem sente das quedas e das mortes a desolação.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
Leia também: Meia moto, por Renata Régis Florisbelo
























